“Meu pai, qual o caminho certo?”, a última grande novela …

Publicado em: 17/06/2007

Houve ainda outras depois dela. Nenhuma, no entanto, teria ares de grande produção como essa efêmera “Meu pai, qual o caminho certo?”, última novela da Rádio Gaúcha, uma tentativa algo pretensiosa levada ao ar em 1971. A idéia de Maurício Sirotsky Sobrinho, o dono da emissora, era, então, mesclar este tipo de entretenimento à música gravada, ao jornalismo e aos programas de variedades de teor mais popular. Por Luiz Artur Ferraretto

Para concretizar este perfil extremamente eclético, o empresário contratara o pernambucano Jesuíno Antônio D’Ávila, que, na primeira metade da década de 50, como diretor artístico da Farroupilha, havia revolucionado o rádio do Rio Grande do Sul. Encarregado da retomada da dramaturgia na emissora, D’Ávila, em plena fase de consolidação da TV, nada conseguiria, embora o projeto algo temporão tenha sido também prejudicado pela censura.
Embora o título pareça hoje um tanto anacrônico, “Meu pai, qual o caminho certo?” soava ousada para aqueles tempos de defesa intransigente da moral e dos bons costumes, pelo menos do que os censores e o poder fardado consideravam como tal. A novela de Erico Cramer pretendia uma atualização no enredo romântico clássico, apresentando uma temática, na época, mais contemporânea, a da rebeldia jovem e dos conflitos entre pais e filhos.


Meu pai, qual o caminho certo – Anúncio (maio de 1971)

Última grande produção do gênero no Rio Grande do Sul e carro-chefe da nova programação da Gaúcha, a novela aparece definida, nos diversos anúncios publicados pelo jornal Zero Hora, como “a angustiante pergunta da juventude desencontrada, inspirada nas mensagens da música jovem”. A obra de Érico Cramer contava também com um requinte nunca visto antes: a trilha sonora especialmente criada por Hermes Aquino, compositor gaúcho que havia se destacado no Festival Internacional da Canção e no programa Som Livre Exportação, duas atrações da Rede Globo retransmitidas, no Rio Grande do Sul, pela então TV Gaúcha. O elenco, sob a direção de Pepê Hornes, que também atuava, incluía profissionais experientes como Esther Castro, Adroaldo Guerra, Lolita Alves, Luiz Sandin, Eva Silveira, Sanches Netto, Danny Gris e Ivanir Mirapalheta, “apoiados por uma equipe de radioatores e radioatrizes jovens revelada em rigorosos testes”.
A estréia marcada para o dia 10 de maio de 1971, às 13h20, só aconteceria, no entanto, uma semana depois e às 23h30. Considerada pelo Departamento de Censura Federal muito forte para o horário vespertino, a novela teve de ser transferida às pressas para o fim de noite, sendo substituída, no início da tarde, pela bem menos polêmica “As Últimas Flores de Verão”, de Maria Monteiro Paneraí. Os dados existentes indicam que nem uma nem a outra emplacariam mais do que umas poucas semanas de irradiação, um final de esquecimento e descaso para aquela anunciada com o estardalhaço próprio dos grandes momentos da dramaturgia radiofônica do passado.

2 respostas
  1. OLGA MENEZES says:

    GOSTARIA DE SABER ONDE POSSO PEQUISAR POR LUIZ SANDIN – ONDE POSSO ENCONTRA-LO
    CASO TENHAM ALGUMA RESPOSTA POR FAVOR ENTRAR EM CONTATO NO MEU E-MAIL, ESTOU EM SÃO PAULO PORÉM SOU NATURAL DA CIDADE DE RIO GRANDE/RS.
    ESTA INFORMAÇÃO É MUITO PRECIOSA.

    oLGA MENEZES

  2. Danny GRis says:

    Olga.
    Lamento informar que Luis Sandim, gande artista do nosso Estado é falecido ha alguns anos.
    Abraço
    Dânny GRis

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