10 anos da Pop Rock, a rádio da Ulbra

Publicado em: 13/05/2007

A história dos dez anos da Pop Rock FM, de Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, passa, sem dúvida, por pelo menos duas festas, que marcam, quase sem querer, mudanças significativas no dia-a-dia da emissora ligada à Universidade Luterana do Brasil. Por Luiz Artur Ferraretto

A primeira delas não tinha nada a ver com a rádio em si. Foi em março de 1997 e serviu para promover o lançamento do CD Pop, da banda irlandesa U2 no Rio Grande do Sul. Estavam lá Mauro Borba, responsável pela FM desde 1992, e Alexandre Fetter, então na Atlântida FM. De um bate-papo dos dois, começaria a surgir a nova cara da estação dos 107,1 MHz. A programação não seria nem tão comercial como a da Atlântida, de onde Fetter se transferiria em seguida, nem tão independente das paradas de sucesso como a Ipanema, de onde Mauro Borba tinha vindo cinco anos antes. E o nome iria se inspirar no da Rock and Pop, de Buenos Aires, acreditando que a ordem dos fatores não afeta muito o produto final.


O reitor Ruben Becker inaugura a Felusp FM (1988).

A “rádio da Ulbra”, identificação constante da emissora dentro da estratégia de marketing da universidade junto ao público jovem, já funcionava desde o final dos anos 80, mas não havia estourado no gosto dos ouvintes. De fato, com o slogan “A onda que você esperava”, em 22 de julho de 1988 a Grande Porto Alegre ganhara uma estação que se propunha a ser uma espécie de college radio. Chamava-se, na época, Felusp FM, sigla da Fundação Educacional Luterana São Paulo e operando, de início, nos 88,9 MHz. Dois anos depois, migrava para os 107,1 MHz. Gerenciada então por Roberto Coconut, a rádio fugia do modelo deste tipo de emissora de baixa potência existente em instituições de ensino dos Estados Unidos, embora se caracterizasse, em um primeiro momento, pelo mesmo tipo de música: o rock não-comercial, aqui conhecido como alternativo.
Em 1992, a convite da diretora da Assessoria de Comunicação Social da Ulbra, Sirlei Dias Gomes, o jornalista Mauro Borba assumiu a gerência, saindo da Ipanema FM. A estréia do comunicador coincidiu com um show do Barão Vermelho promovido pela Felusp, indicando também que a universidade começava a ampliar os seus investimentos na área de radiodifusão. Uma das primeiras medidas da nova administração foi trocar o nome Felusp por 107.1 FM, mais facilmente identificável pelo público. Cinco anos depois, com a rádio, dentro da estrutura da instituição, respondendo ao vice-reitor da Ulbra, Leandro Becker, ocorreria, depois da tal festa de lançamento do CD Pop, a contratação de Alexandre Fetter.
Nos dez anos seguintes, a parceria entre Mauro Borba, a parte rock desta combinação, e Fetter, o lado pop, fez o sucesso da rádio, que, por vezes, ultrapassou em audiência a Atlântida FM, mas sempre ameaçou a estação da RBS.


Adesivo da Pop Rock FM (2000).

Desde então, o carro-chefe da programação é o Cafezinho, um bate-papo entre vários comunicadores da rádio, que começa a ser veiculado, de segunda a sexta, em novembro de 1997, de início com a participação de Alexandre Fetter, Arthur de Faria, Celso Garavelo e Mauro Borba. O crescimento da 107.1 permitiu a constituição de uma rede que, no dia 16 de março de 2000, passou a transmitir via satélite, integrando a rádio de Canoas com duas outras estações administradas, na época, pela Ulbra, em Santa Maria e Tramandaí. Constituída, logo em seguida, como Conexão Pop Rock, engloba, hoje, além da 107,1 FM, de Canoas, emissoras em Bagé, Carazinho, Cruz Alta, Gramado, Passo Fundo e Santo Ângelo, preparando-se para, logo, operar também em Torres, no Litoral Norte.
No dia 12 de maio de 2007, uma festa na Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, também marcou um novo momento. Pela primeira vez, desde que a denominação Pop Rock foi adotada, Alexandre Fetter não esteve presente. Em março, o comunicador voltou para a Atlântida FM, em uma forte reação da Rede Brasil Sul ao crescimento da Pop Rock. A rádio da Ulbra passou boa parte do ano passado registrando índices de audiência superiores à da concorrente. Em julho de 2006, a diferença beneficiava minimamente a Atlântida: 4,5 a 4,4. No mês seguinte, a RBS, com grande estardalhaço e usando toda a força de seus veículos, em especial o jornal Zero Hora e as suas emissoras de TV, promoveu alterações significativas na programação da emissora. Resultado: o tiro saiu pela culatra e a Pop Rock aumentou a sua audiência, chegando a estar um ponto percentual a frente da Atlântida.
Coisas de um segmento de mercado com muita concorrência, talvez a mais forte na atualidade, a saída de Fetter agitou o rádio musical jovem. Não parece ter afetado, no entanto, o grande público que participou da outra festa, essa dos 10 anos da Pop Rock. É, a partir deste novo marco, que a rádio da Ulbra irá construir seus próximos dez anos.

0 respostas

Deixe uma resposta

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *