1940: muitos aparelhos de rádio somente no eixo Rio-São Paulo

Publicado em: 15/06/2005

Durante a década de 1940 a nível nacional a presença do rádio nos lares brasileiros continuava insignificante. Especificamente no ano de 1940, somente 5,74% dos domicílios possuíam aparelhos de rádio. Isto é, de 9 milhões de domicílios particulares apenas pouco mais de 500 mil tinham um receptor.
Por Ricardo Medeiros

Porém, a situação se inverte quando é analisado separadamente o quadro da cidade do Rio de Janeiro. O rádio estava presente em 46% dos domicílios na então capital federal. De outra maneira dita, dos 285 mil lares do Rio de Janeiro, 130 mil possuíam transmissores radiofônicos. Este panorama justifica um crescimento maior de número de emissoras na capital federal e em São Paulo, sendo que esta última cidade já em 1937 possuía uma situação privilegiada : 60% das casas estavam equipadas com aparelhos de rádio, ou seja, havia um total de 80 mil receptores nos lares paulistanos.  Desta maneira, concordamos com Lia Calabre (2002), quando a autora do livro “A Era do Rádio” diz que quanto mais receptores de rádio, maiores os índices de ouvintes que atraíam os anunciantes, fazendo com que estas empresas concentrassem suas verbas publicitárias nas emissoras dos grandes centros urbanos, sobretudo no setor de radionovela.

Como os aparelhos de rádio permaneciam ainda longe de maioria dos lares brasileiros, uma das soluções encontradas para que a população de baixa renda tivesse acesso a este meio de comunicação era o sistema apelidado de radiovizinhança. Por este sistema, quem ainda não possuía um receptor, deslocava-se em direção à casa mais próxima, seja ela de parentes, amigos ou apenas de conhecidos para acompanhar os folhetins eletrônicos e outros programas. E quem não adotava o radiovizinhança, entregava-se silenciosamente a ouvir aqueles capítulos envolventes que se não vinham dos eletrodomésticos da moda, tinham como origem a voz dos contadores de novela, como o da obra do escritor João Guimarães Rosa , “O Corpo de Baile” : « Assim, a história era divulgada e o contador não apenas repetia, mas floreava e incorporava os capítulos (…) adiante quase cada pessoa saía recontando, a divulgação daquelas histórias se espraiava, descia a outra aba da serra ; ia à beira do rio, e , boca em boca, para o lado de lá do São Francisco se afundava, até em sertões ».


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