1940: o ano para Florianópolis ter uma emissora de rádio

Publicado em: 23/11/2005

Na antiga Desterro dos anos 1940 circulam  jornais, como O Estado, Gazeta e o vespertino Diário da Tarde. Mas a comunicação mais eficaz, dizem alguns, é feita pelo DVA-Departamento de Informações da Vida Alheia, instuição célebre para também dar apelido a todo mundo, cuja cúpula  se reúne no Ponto Chic, Miramar ou sob à sombra da Figueira da Praça XV de Novembro.
Por Ricardo Medeiros e Celestino Sachet

Quanto às notícias radiofônicas, as « últimas » são captadas  pelos poucos aparelhos receptores que sintonizam as ondas curtas oriundas de São Paulo, Rio e Porto Alegre.
Naquela época, a pacata cidade de 46 mil habitantes, é uma  das menores capitais do país. No alvorecer do dia as ruas são sempre silenciosas. Pouco são os caminhantes, os operários que se destinam às fábricas de pregos, rendas e bordados , gelo ou de fundição Arataca. A exceção é no Mercado Público onde  é grande a quantidade de pessoas fazendo seus negócios em torno do peixe, camarão, doce de banana, marmelo, feijão, amendoim. Aos poucos, as ruas centrais  se despertam e  estão cheias de transeuntes pela Praça XV, Felipe Schmidt, Conselheiro Mafra, Trajano.
No café Rio Branco, os empregados do comércio, dos escritórios, dos bancos se aglomeram para solver um «pretinho ».  O comércio agora está em pleno movimento com a Casas Três Irmãos, A Soberana, Livraria Moderna, Confeitaria Chiquinho e A Capital. Ao anoitecer, os luminosos começam a se acender na Casa Hoepecke, Oficina Ford e Casas Cardoso. É hora também das moçoilas da cidade fazerem o seu footing diário, caminhar pela Felipe Schmidt em busca de um olhar e do enganjamento de uma conversação, com quem sabe  com o seu futuro namorado. Há quem prefira ir direto aos cinemas Ritz, Odeon, Imperial  ou Roxy. Mais tarde, a cidade começa a se recolher. A partir das 11 horas da noite « não é hora de moça direita andar na rua », esbravejam os conservadores.
É nesta cidade de antigamente que o sábado, dia 24 de fevereiro de 1940, pode ser marcado como uma das primeiras iniciativas para a instalação de uma emissora de rádio na Capital. Sob o patrocínio do jornal “A Gazeta” e da firma Gerher e Cia, representante dos rádios Philips, é retransmitido ao público do centro de Florianópolis, por meio de alto-falantes, o jogo de futebol entre brasileiros e argentinos, em disputa da Copa Roca, no Parque Antártica, em São Paulo. O Brasil perde o jogo.
Em setembro desse mesmo ano de 1940, nasce desta vez  em Florianópolis a possibilidade da fundação de uma estação radiodifusora, que promete ser uma das maiores e mais modernas do Brasil. A emissora entraria no ar, com as seguintes características técnicas: raio mínimo de ação: 1.000 quilômetros; potência nas antenas: 2 mil watts; potência com modulação: 8 mil watts; e freqüência de trabalho: 1420 quilociclos.
A estação seria de propriedade da Radiodifusão Brasileira S. A. e a instalação e construção ficaria a cargo da Sociedade Técnica Paulista Ltda, firma brasileira, especializada no assunto, e  que já montara na Capital os transmissores e rádio-faróis da VASP e da Base de Aviação Naval. Para um entendimento com as autoridades civis e militares do Estado sobre  escolha do local da instalação dos estúdios, passam pela Capital o diretor-presidente da Radiodifusão Brasileira, J. C. Matos Penteado, e Itajibe Santiago, diretor da Sociedade Técnica Paulista Ltda.
A inauguração da primeira emissora de rádio da Capital, cujo o gerente designado é o senhor Guilherme Stagnet, deveria ocorrer dentro de 120 dias. Mas a notícia da inauguração morre nas páginas não escritas da história do rádio em Santa Catarina, embora em 21 de maio de 1941, “A Gazeta” anunciasse que fora autorizado o funcionamento da nova emissora.


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