Esporte na B2, orgulho do povo do Paraná

Publicado em: 27/11/2011

Memórias | Capítulo 8.2 Final

As transmissões esportivas, principalmente de jogos de futebol, deram à Bedois uma grande popularidade e contribuíram para aumentar seu elevado número de ouvintes. (Nesse capítulo do livro chama para mais esportes no Capítulo 13 e mostra fotos de um grande número de integrantes da equipe esportiva: Mário Vendramel, Boris Musialowsky, Osmar de Queiroz, Jurandir Bergmann, Augusto Reis, Aloár Ribeiro, Marcus Aurélio de Castro, Augusto Reis, Demerval Costa, Oldemar Kramer, Waldomiro de Oliveira, Norberto Trevisan, Sérgio Guarita, Osmar de Queiroz, Willy Gonzer, Aírton Cordeiro, Borba Filho, Jota Pedro, Norberto Trevisan, José Domingos, Maurício Farah, Antônio Thomaz e Paulo Alberti.

 

A comercialização

Frequentemente me perguntam de que forma a Rádio Clube Paranaense conseguia manter aquele estilo de rádio eclético, tão dispendioso e que durou tantos anos.

Quem leu o nosso Capítulo 4, na parte que se refere ao radioteatro, já teve uma ideia. Das oito novelas que eram apresentadas em 1959, sete eram patrocinadas por empresas de âmbito nacional ou multinacional.

Por ter Ondas Curtas e ser ouvida também no interior do Paraná e de outros Estados, a Bedois oferecia algo mais além da sua excelente audiência na Grande Curitiba, e tinha a preferência das Agências de Propaganda de São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre.

Todos os anos, quando chegava o mês de outubro, nosso excelente representante comercial nessas cidades, M.A. Galvão & Cia. Ltda. agendava com as Agências a visita de Moacir Amaral e Ubiratan Lustosa. E lá íamos nós, de Agência em Agência, vender o nosso peixe. Como diretor artístico eu falava de nossas realizações, de nossa audiência e do que estava estabelecido para o ano seguinte. Então era a vez do diretor comercial negociar. E Moacir Amaral fazia isso muito bem. De São Paulo ao Rio, do Rio a Porto Alegre, quase um mês negociando. Quando voltávamos para casa a programação básica da Bedois estava vendida para todo o ano seguinte. Aqui, completávamos as vendas com os anunciantes locais, em geral em contratos com períodos menores. E assim, com nosso produto vendido em quase sua totalidade, tínhamos condições de manter tanta gente atuando na Rádio Clube.

Quando Moacir Amaral deixou a Bedois, seu assistente Hugo Von Linsingen assumiu a direção comercial da emissora. Ambos foram muito eficientes.

Isso foi muito bom ao longo de muitos anos. Um dia, os grandes anunciantes voltaram sua atenção para as emissoras de Televisão. Adquirindo pacotes de publicidade, que envolviam veículos de comunicação de vários Estados cobertos pelas afiliadas das grandes emissoras de TV, reduziram as verbas destinadas às emissoras de Rádio. Isso causou um grande impacto, principalmente na Bedois cuja maioria de anunciantes era de âmbito nacional. Mais tarde, as Agências e os anunciantes perceberam que o Rádio continuava sendo um excelente veículo de comunicação e voltaram a prestigiar as emissoras, mas o estrago já estava feito.

Em 15 de julho de 1960 fui nomeado assistente da superintendência. Em 12 de setembro de 1961 fui elevado a diretor superintendente da Rádio Clube Paranaense e, depois, passei a Rubens Rollo o cargo de diretor artístico que eu estava acumulando. E assim foram passando os anos 60.

Com uma programação eclética e popular que reunia radioteatro, programas de auditório, programas de estúdio, noticiários e esporte, a veterana Bedois permanecia em evidência.

Em 1966 a Rádio Clube Paranaense foi adquirida pelo Sr. Luiz Gonzaga de Freitas. Ele manteve todos os diretores e a mesma programação.

Excelente patrão e cheio de boa vontade, Gonzaguinha, como era carinhosamente chamado pelos funcionários, enfrentou uma fase difícil. O grande número de emissoras que já disputavam o mercado e a empolgação dos mais destacados anunciantes com a Televisão, ocasionaram uma queda progressiva no faturamento da emissora. Já não conseguíamos o patrocínio das novelas junto aos anunciantes nacionais e multinacionais, e então, cheios de tristeza, assistimos o fim de uma fase encantadora e cheia de brilhantismo do nosso radioteatro.

Ainda mantínhamos os nossos programas de auditório. Se tivéssemos a oportunidade de lutar um pouco mais, certamente teríamos vencido as dificuldades. Faltou fôlego, no entanto, ao nosso estimado Gonzaguinha e ele precisou vender a Rádio Clube em 1968.

Terminava então uma era romântica, linda, empolgante e inesquecível. Uma saga fascinante que orgulha o povo do Paraná.

Ubiratan Lustosa. O Rádio do Paraná – Fragmentos e sua história. Curitiba, 2009. Instituto Memória Editora e Projetos Culturais. 41 3352 3661. www.institutomemoria.com.br

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