31 – Locutor a força

Publicado em: 28/09/2005

A Voz da América
Trabalhar ao lado de profissionais do gabarito que a Voz da América havia reunido em Washington nos anos 70, como José Roberto Dias Leme que inaugurou a Voz da América, Guilherme de Souza, José Mara Nogueira, José Américo, Hélio Costa hoje Ministro das Comunicações, Ricardo Gardeazabal Neves que esteve também na NHK de Toquio e na Rádio Africa do Sul, Pedro Kattah, entre outros, foi uma honra e um previlégio que me ajudaram a crescer e a entender o que significa ser
radialista.
Por Aguinaldo José de Souza Filho

Esta nobre profissão, que no mundo do rádio internacional é chamada de ‘broadcasting-journalist’, ensina a fazer um tipo de rádio-jornalismo que nenhuma escola ou faculdade ensinava.

A experiência de trabalhar em estações internacionais de ondas curtas, como a BBC de Londres, a Rádio Suécia, a Rádio Praga e depois a Voz da América, onde a nossa tarefa de divulgar a mensagem do país em questão, nos levava além da pesquisa, coleta e mera tradução das notícias, nos expunha não só aos costumes e comportamento de vida destes povos, como também assimilávamos uma perspectiva profissional mais ampla e mais abrangedora. Nossas opiniões editoriais passaram a refletir não mais o nosso ponto de vista pessoal, mas o da sociedade onde estávamos vivendo, da sua cultura e ideologia.

Isso, no entanto, não acontece da noite para o dia. O processo leva o tempo que cada um de nós precisa para assimilar uma nova cultura. Falar de um povo sem conhecer seus hábitos, costumes e vicissitudes, sem conhecer a origem de sua história, do porque se comportam como se comportam – o que é fácil fazer da nossa perspectiva cultural – é cometer uma injustiça.

Antes de partir do Brasil em 1966 a caminho de Estocolmo, várias pessoas no Rio  me encheram os ouvidos com inverdades sobre o povo sueco com os mais estapafúrdios relatos sobre uma das tribos mais famosas do mundo escandinavo.

Obviamente estes nunca estiveram naquele país, porque a verdade foi bem diferente. Nessa aventura jornalistica pelo mundo, aprendemos a ser mais tolerantes com outras raças, superando as descriminações gratuitas que só servem para afastar os povos e fomentar o desentendimento, que prejudicam as relações e às vezes acabam em guerras, com tantos exemplos que temos na história da humanidade.

A nossa responsabilidade de radialistas vai além da coleta ou redação da informação. O ouvinte nos ‘convidou’ em sua casa para esse monólogo informativo. Nossa postura e posição pode influenciá-lo.Temos que respeitá-lo contando somente a verdade e de uma forma amistosa, onde informação também ensina. Neutralidade em nossos comentários é básico para manter a credibilidade, e contarmos com um convite renovado em seus lares. Tendemos a minimizar a força do rádio, sua penetração e influência. O rádio, que alguns achavam que iria desaparecer com o advento da televisão, continua sendo uma das maiores e mais eficazes formas de comunicação com as massas, por isso temos que tratá-lo com respeito, responsabilidade e dignidade.

A divulgação de informação errônea ou tendenciosa fomenta a discórdia. A ‘desinformação’ é pior que o silêncio. Tenhamos cuidado com o que divulgamos, por mais inocente que possa parecer. Isto foi a essência do que aprendi como radialista, emborta saiba que a verdade tem muitas faces, dependendo de quem a vê, de onde a vimos, e da intenção com que a olhamos.


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