Para não dizer que não falei…

Publicado em: 07/10/2012

Lígia Fascioni *

De vez em quando me dá um certo desespero quando vejo notícias do Brasil e pessoas que ganham R$ 15 mil por mês fazendo greve, então acabo não resistindo fazendo comparações bem duras. Mas não queria deixar a impressão de que aqui (Berlim) é o paraíso e o Brasil está fazendo tudo errado. Tem algumas coisas em que o nosso país está bem mais evoluído, viu? Só para constar:

1. No Brasil, os caixas de supermercado nos chamam pelo nome e ainda ajudam a gente a embrulhar as compras. Aqui parece que eles estão participando de um concurso para ver quem passa as coisas mais rápido pela esteira (dá a impressão de que eles foram treinados a não gastar mais do que 18 segundos por cliente…eheheh). Quando você vê, já passou tudo e ele está esperando você pagar bem rapidinho, pois o próximo está esperando. Aí é se equilibrar com sacolas (que você trouxe de casa) e tentar colocar tudo dentro de qualquer jeito para não trancar a fila. Loucura.

2. Também reparei que a nossa legislação de embalagens parece mais completa. Esses dias comprei umas castanhas ótimas. Cheguei a virar a embalagem do avesso, mas não consegui descobrir de onde eram. Aqui também não tem como saber se um produto tem ou não gordura trans, pois cada embalagem aparentemente informa só o que a empresa quer a respeito do produto.

3. Os serviços de atendimento ao cliente ficam devendo bastante aos do Brasil. No meu prédio, por exemplo, se eu precisar perguntar qualquer coisa à empresa que administra, tenho que ligar às segundas das 13 às 15 horas; terças das 8h30 às 11h40 ou sexta das 14h às 18 horas. Não é o horário melhor para o cliente, é o horário melhor para a funcionária que cuida disso (e se ela tira férias, tem que esperar que volte).

4. Quando me mudei, a internet levou 20 dias para ser ligada remotamente (que era mais rápido) e não funcionou. Como o suporte é só em alemão, fiquei 40 dias sem conexão, esperando o Conrado (meu marido) voltar de viagem para poder resolver.

5. Não importa que você resolva tudo pela internet ou por telefone; a empresa sempre fará questão de lhe mandar várias correspondências, totalmente dispensáveis, pelo correio comum. Eles adoram papel…

6. Em Berlin quase não há grandes supermercados (só nos bairros bem afastados, mesmo assim não é um Angeloni ou um Big da vida). Sempre são mercadinhos pequenos com poucas coisas; várias sem preço. E nunca abrem aos domingos.

7. Os apartamentos não têm área de serviço (eles acham que não precisa). Sim, você tem que se acostumar a viver sem um tanque e com a máquina de lavar roupa na cozinha ou no banheiro (onde couber).

8. Depois das 5 da tarde você chega na padaria e ela está praticamente vazia de produtos. Eles vendem os pães do dia e não fazem mais

9. Tem um carrinho bem bacaninha para limpar as calçadas (tipo um aspirador de pó gigante). Mas acho que ele só passa uma vez por mês…

10. Nossa, o povo fuma demais, é impressionante! Já estava desacostumada com isso. Assim dá para ver como as campanhas antifumo no Brasil estão funcionando, pelo menos, que eu saiba, ninguém mais acha bonito sair soltando fumaça como chaminé…

Tem mais, claro. Paraíso não existe, né gente? E nem vou falar que aqui não tem pão na chapa, misto quente, coxinha, empadinha, pão de queijo e pastel de feira.

Sorte tenho eu, que posso curtir um pouquinho de cada lado….

 

Sou uma engenheira eletricista que, após 11 anos programando robôs, caiu de amores pelo design. Tenho um site dedicado ao estudo da identidade corporativa (www.ligiafascioni.com.br) e escrevo semanalmente no Acontecendo Aqui, especializado em comunicação e marketing. Também sou titular do blog DNA Corporativo no portal da revista Amanhã Economia e Negócios e mantenho o www.atitude profissional.com.br com seu respectivo blog.

Atuo profissionalmente como consultora e palestrante, além de ministrar aulas em cursos de graduação e pós-graduação em Marketing e Design. Publiquei “Quem sua empresa pensa que é?” (2006, Ed. Ciência Moderna) , “O design do designer” (2007, Ed. Ciência Moderna), “Atitude profissional: dicas para quem está começando” (2009, Ed. Ciência Moderna) e “DNA Empresarial: identidade corporativa como referência estratégica” (2010, Ed. Ciência Integrare).

Além de marketing e design, adoro literatura, arte, economia, animais, fotografia, política, atualidades, histórias em quadrinhos e cinema, assuntos sobre os quais costumo escrever nesse blog. Também costumo viajar de moto com o meu marido e temos owww.duasmotos.com para relatar essas experiências.

Morava em Florianópolis, mas desde julho de 2011 estou em Berlin. No início para aprender alemão (meu marido está trabalhando nesse país), mas depois para fazer um pós-doutorado e, quem sabe, trabalhar por aqui. Volto ao Brasil duas vezes por ano (geralmente em março e novembro) para ministrar cursos, workshops e palestras, além de prestar consultoria (veja mais no meu site www.ligiafascioni.com.br). Você pode me escrever diretamente usando o endereço [email protected] Obrigada pela visita e volte sempre!

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