É Carnaval | Parte Final

Publicado em: 10/02/2013

No livreto “Carnaval da Ilha” do engenheiro, pesquisador e aquarelista Átila Ramos consta que o Carnaval de Florianópolis há muito perdeu sua originalidade. É Carnaval | Parte Final

Paulo Clóvis Schmitz *

Carnaval. Ilha de Santa Catarina. Foto Divulgação

A Praça XV de Novembro e seus arredores já não são mais o centro nervoso da folia, o local onde famílias inteiras iam assistir a blocos que viam dos morros e dos bairros. O esvaziamento foi acompanhado de um engessamento excessivo de subvenções generosas a escolas e da adoção da matriz nacional, ou seja, o Carnaval do Rio de Janeiro. Ainda assim, o século e meio de tradição se mantém e há blocos que resistem há décadas, e outros que evoluíram para escolas, como a Consulado do Samba e a União da Ilha da Magia.

O começo, conta o autor, foi de valsas e polcas, com eventuais fantasias de baianas e piratas, interferências externas que já se faziam sentir na Ilha de Santa Catarina.

A mais que centenária Sociedade Musical Amor à Arte, de 1880, fazia a alegria dos poucos foliões em espaços públicos. Sociedades carnavalescas como os Bons Arcanjos e Diabo a Quatro, de caráter abolicionista, equivaliam aos blocos atuais. Com o século XX, substituindo corso, espécie de carruagem que desfilava pelas ruas, a chegada do automóvel trouxe as batalhas de confetes e os cortejos em torno da Praça principal. Mas, ainda havia a divisão entre o povão que se divertia com as reminiscências do entrudo, e as famílias “de bem” que frequentavam os bailes sociais.

Os anos 1930 sofreram as primeiras influências do Carnaval Carioca com a multiplicação de escolas e blocos, as marchinhas e as orquestras à base de metais que tocavam músicas de Lamartine Babo, Noel Rosa e Ary Barroso. Era o auge do carnaval de salão com o aroma do lança perfume espalhando-se sem restrições. A primeira escola de samba (de Florianópolis) foi a Protegidos da Princesa, de 1948 e só depois é que vieram as Grandes Sociedades, com seus carros de mutação.

Lagartixa, o maior de todos

Para Maurício Amorim, ninguém teve tanta importância para o Carnaval de Florianópolis quanto o Rei Momo Hilton da Silva, o Lagartixa. “Se tocasse um tambor lá ia ele, vestido de mulher desfilando em cima de um jipe”, diz. Lagartixa reinou durante quarenta anos e foi um folião sem igual, desses que saem de Nero, Maria Antonieta e Madame Pompadour sem perder a pose.

Numa entrevista ele lembrou da primeira performance: “O pessoal da rua Duarte Schutel organizou um bloco e eu saí de baiana. Acabei dando show e peguei gosto pelo negócio. Isso foi em 1938, um bocado de tempo atrás”. Depois da estreia, ele não parou mais.

Logo abaixo, na hierarquia da folia, nos blocos e nas escolas, podem ser citados foliões como Lidinho, Tenente, Avez-Vous (Abelardo Blumemberg), Heitor Ferrari, Tullo Cavallazzi, Nega Tide, Aldírio Simões, Dico (Osvaldo Gonçalves), Wilson Boabaid, Jacinto Bittencourt, Nego Quirido, Zininho (Cláudio Alvim Barbosa), Aldo Gonzaga, Duduco, Luiz Henrique Rosa, Marquinho do Cavaco, Caco Bastos, Gasparino e Sérgio Abraham, o Rei Momo Hernani Hulk e muitos outros. A lista, longa e sempre incompleta, prova de que a folia na Ilha não peca pela pequenez.

* [email protected] | Carnaval | ND | 09 e 10/02/2013

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