4 X 3: GRAÇAS AO RÁDIO, O RETORNO AO PASSADO

Publicado em: 23/10/2006

Sou torcedor do Botafogo há exatamente cinqüenta e quatro anos. Trago isso aqui hoje porque no sábado, dia 14 de outubro de 2006, o Time da Estrela Solitária venceu ao Santos por 4 x 3, numa virada sensacional no espaço de minutos finais da partida! Confesso que vi pela TV, MAS SÓ IMAGEM…O SOM foi de Rádio!
Por César Pasold

Graças ao Rádio, ouvindo o passado, aprendi e gravei que o elenco histórico do meu time Glorioso possui, entre tantos extraordinários: o “virtuoso” Heleno, que não ouvi jogar, mas sobre  quem li relatos que o consagravam como um gênio da bola ; o ponta direita Paraguaio ; o centro avante Pirilo; o goleirão Manga; o enciclopédico Nilton Santos; o genial Garrincha ( os locutores esportivos , em regra, não conseguiam narrar a modo e a tempo os seus mirabolantes dribles!); o “príncipe” Didi e seu chute “folha seca”, sempre narrado de forma pausada e grave por Valdir Amaral; Quarentinha ( o maior artilheiro do Botafogo)  e Zagalo – os canhotos diferentes entre si mas cada um eficiente à sua maneira; o técnico João Saldanha , que em 1957 comandou o alvinegro na goleada de 6 contra o Fluminense  ( ouvi, então, pela Rádio Nacional e chorei, menino feliz cantando …”foi,foi, de 6 a 2, que o Botafogo derrotou o pó de arroz!!!!), conquistando o campeonato carioca; Roberto Miranda que, com Rogério, Jairzinho e Gerson fez 4 a zero no Vasco e o Botafogo se tornou bi-campeão carioca em 1968 (esta ouvi pela Rádio Tupy do Rio) ; Amarildo , “o Possesso” (apelido que ganhou de Nelson Rodrigues quando , em 1962 fez 18 gols para o Botafogo em 25 jogos) que substituiu, com êxito, ao Pelé contundido na Copa do Chile na qual o Brasil se tornou bi-campeão mundial; o meio campista de lances milimetricamente precisos Gerson; o “furacão” Jairzinho; Paulo César “Caju” ; Carlos Roberto; o doutor Afonsinho; o “diabo loiro” Marinho; Paulino Criciúma, craque com quem , após 20 anos, voltamos a ser campeões cariocas em 1989 (a partida final ouvi pela Rádio Globo, com imagem – sem som – da TV!). E assim a minha listagem poderia prosseguir mais ainda…!Aliás , Sérgio Augusto em seu precioso livro chamado “Botafogo- entre o céu e o inferno” (da editora Ediouro) apresenta o seu “Botafogo de todos os tempos” com o seguinte elenco : Manga, Carlos Alberto Torres, Sebastião Leônidas, Nilton Santos e Marinho Chagas; Didi e Gerson; Garrincha, Jairzinho, Heleno de Freitas e Paulo César.
Tudo isto trago aqui hoje porque no sábado passado, dia 14 de outubro de 2006, o Time da Estrela Solitária venceu ao Santos por 4 x 3, numa virada sensacional no espaço de minutos finais da partida!
Confesso que vi pela TV, MAS SÓ IMAGEM…O SOM foi de Rádio!
Nós, os Botafoguenses, habituados ao sofrimento, fadados às derrotas ou aos empates faltando apenas 1 ou 2 minutos para terminar o jogo, marcados pelo rebaixamento à série B e reabilitados, no suor e na lágrima, com o retorno – na raça e em campo- à “elite do campeonato brasileiro” na série A, raramente temos podido viver, ultimamente, momentos de especial alegria como o foi naquele 14 de outubro de 2006. Este dia vai ficar na história do Botafogo Futebol e Regatas!
Ali e então, sob o comando do Técnico Cuca e com destaque para a liderança em campo do Cleiton (o nosso atual capitão, aplicadíssimo), para o competente goleiro Max (enfim retornando para substituir o fraco goleiro Lopes!), e para Zé Roberto e Reinaldo (esta dupla lembra alguns dos grandes craques do passado no time da Estrela Solitária) alcançamos um placar sensacional , em momentos emocionantes para quem gosta do futebol arte e do futebol raça.
Vencemos por 4 gols a 3 um time muito bem articulado, o Santos sob a batuta competente de Wanderley Luxemburgo.
Foi uma tarde/noite de glória e de reabilitação para todos os Botafoguenses.
Agora, quando for o caso, podemos voltar a, tensos e com o ouvido colado no radinho, perder faltando apenas 1 minuto para encerrar o jogo…Porque, em próxima peleja, o nosso time retornará a se erguer e o fará sempre, porquanto nós sabemos que, com certeza, como “um facho de luz, tua Estrela Solitária te conduz”!


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