A Cidade Humanizada

Publicado em: 16/09/2013

selo-cronicas-da-desterroHá um ano, ao lançar um novo livro, decorei o salão do Museu Histórico, no Palácio Cruz e Sousa, com árvores, em vez de flores. Meu primeiro neto chegaria em alguns meses e, como bem sabemos, criança combina com árvore. Comprei, então, duas arvorezinhas, uma ameixeira e uma jabuticabeira que, após o evento, seriam plantadas no terreno ao lado do meu prédio, para acompanhar o crescimento do João Antônio.

A ameixeira foi replantada, mas a jabuticabeira instalou-se num cantinho especial da minha varanda e não quis mais sair de lá. Que seja! Quando o menino nasceu, enterrei o seu umbigo no vaso, junto à jabuticabeira, repetindo o gesto da minha bisavó. Com cuidado, carinho e boa adubação, as duas arvorezinhas estão crescendo faceiras e viçosas!

Dia desses acordei com um vozerio no terreno e barulho de arrancada e frenagem de caminhão. Eram operários descarregando maquinários e ferramentas para instalar uma “academia ao ar livre” no terreno ao lado, daquelas que estão sendo implantadas nas praças e terrenos baldios, como parte do esforço da atual gestão para tornar nossa cidade mais humana e amigável. A instalação atende reivindicação da vizinhança e já estava programada.

Pedi que tivessem cuidado, pois um carro de apoio estava estacionado a meio metro de distância da arvorezinha. Passei o dia em de alerta, preocupada com o entra e sai do caminhão despejando areia e brita. Um momento de distração e o susto: a ameixeira havia desaparecido. Em seu lugar, uma montanha de areia. Desci, indignada, apontando a insensatez! Os caras se espalhando, tipo “não é comigo!”, então vi um sujeito com jeitão de chefe e parti pra cima. Perguntei se era o responsável – imagina se era! Com o peso, a arvorezinha pendeu para o lado, totalmente coberta de poeira.

Prometeu que tirariam a areia imediatamente. Realmente, enquanto conversávamos, um deles começou a escavar. Eram quinze horas e eu segui para um compromisso, pois estava atrasada. Voltei às dezenove e trinta. A pequena árvore continuava soterrada. Essa etapa do trabalho terminou. Na sexta-feira, os trabalhadores recolheram seus apetrechos e ferramentas e foram-se. Deixaram para traz a arvorezinha e, sobre ela, o que restou da mistura de brita e areia que não foi aproveitada.

Humanizar a cidade não depende apenas do prefeito, nem de seus assessores. Ou se torna tarefa de cada um de nós ou nada feito!

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