A edição gaúcha do Repórter Esso (1)

Publicado em: 25/07/2005

No contexto da Segunda Guerra Mundial, o Rio Grande do Sul ganha em 16 de julho de 1942, na PRH-2 – Rádio Farroupilha, de Porto Alegre, uma edição local do Repórter Esso, espécie de porta-voz da Política de Boa Vizinhança do governo de Franklin Delano Roosevelt ao difundir a perspectiva dos Estados Unidos a respeito do conflito. Por Luiz Artur Ferraretto

Do ponto de vista político, o informativo produzido pela agência de notícias United Press chega, também, pelos potentes transmissores da emissora à Santa Catarina. Nos dois estados, concentram-se na época três quartos da população de origem germânica residente no país. Não por coincidência, o Office of the Coordinator of Inter-American Affairs, órgão gestor desta aproximação estado-unidense com o restante dos países americanos, tem no seu comando o milionário Nelson Aldrich Rockefeller, cuja família controla a Standard Oil Company of Brazil, mais tarde Esso Brasileira de Petróleo.


Ruy Figueira

Um dos tantos noticiários com esta denominação e propósito que surgem de Norte a Sul do continente, a versão gaúcha é marcada pelas vozes de seus locutores. De início, Ruy Figueira traz ao ouvinte da Região Sul, em especial, as notícias sobre as batalhas entre as forças dos Aliados e dos países do Eixo. Além de ler o Esso, a este profissional cabe acrescentar as notícias locais, já que as informações do país e do mundo vêm prontas, por via telegráfica, do Rio de Janeiro. Na época, o combate ao nazifascismo e a atuação da Força Expedicionária Brasileira catalisam as atenções do público em textos como este, de uma reconstituição realizada pelo primeiro Repórter Esso do Rio Grande do Sul, em 1975, para um programa especial da Rádio Difusora Porto-alegrense:

– Alô, amigos, muito bom dia. Aqui fala o Repórter Esso, testemunha ocular da história, com os mais recentes telegramas da United Press. Rio – O Brasil entra na guerra. Depois da série de criminosos atentados a sua soberania, desfechados pelas forças submarinas da pirataria eixista, a maior nação sul-americana, pela decidida vontade de seu povo, declara guerra à Alemanha nazista e à Itália fascista. Grandes demonstrações populares antecederam e sucederam a atitude com que o bravo país de Caxias e Tamandaré revida as afrontas dos inimigos da liberdade e da independência dos povos. Grande repercussão mundial cerca a decisão do Brasil. O exército, a marinha e as forças aéreas brasileiras declaram-se decididos para a luta.

A linguagem, de início, ainda é empolada, mas vai adquirindo objetividade com mais concisão e sem firulas pretensamente estilísticas, dando a base – ideologias à parte – para as sínteses noticiosas comuns no Rio Grande do Sul nas décadas seguintes. Uma particularidade dentro do rádio brasileiro, a importância deste tipo de programa nas principais emissoras gaúchas dedicadas ao jornalismo só começa a ser contestada no início de 2005, quando a Gaúcha, embora mantendo a denominação de seu principal informativo, o Correspondente Ipiranga, transforma-o em uma espécie de radiojornal de curta duração. No modelo das sínteses, no entanto, a Guaíba mantém o Correspondente Portocred, herdeiro do tradicional Correspondente Renner, sinal de que ainda há lugar no dial do Rio Grande do Sul para um estilo muito semelhante ao do antigo Repórter Esso.


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