A esquerda foi dormir com Lênin e acordou com Levy

Publicado em: 30/09/2015

“Nós, da direita, estamos cansando de consertar burradas que a esquerda faz na economia pelo mundo a fora sem que o povo, depois, agradeça.”

selo-apontamentosNa hora, a observação do bebum soou hilária e, confesso, desconfiei de sua postura ideológica: autêntico cara de direita não bebe esses nossos uísques nacionais. Mas enfim, como o cara, apesar da alta dosagem de álcool, dizia coisa com coisa, dispensei atenção a ele.

Entre as impagáveis observações do direitista assumido (Freud explica por que a direita começa a sair do armário?) está essa que dá o título à coluna: “Quando nossa esquerda chegou ao poder Brasil foi dormir com o Vladimir Ilyich Ulyanov (mais conhecido como Lênin, fez questão de explicar aos da sua mesa) comandando a sua economia e agora, de repente, acorda sob as ordens do Joaquim Vieira Ferreira Levy (menino de ouro do time do Bradesco, fez questão de frisar a todos)”.

Quem volta os olhos para década de 1960, período em que os expoentes chaves do Partido dos Trabalhadores e dos governos Lula-Dilma se formaram intelectualmente, constatará que, realmente, Lênin – mais Stálin, Bukharin, Mao, Guevara e outros desse viés político-ideológico – fez a cabeça desses até então improváveis governantes do Brasil. Naquele tempo havia ódio e alimentávamos com veemência um ódio visceral (Guevara nos ensinou a odiar a tudo e a todos) contra os burgueses, a classe dominante, todos os capitalistas, mas fundamentalmente um profundo ódio contra os banqueiros.

O imberbe de antanho só teria postura “válida, lúcida e inserida no contexto” e desse modo alcançar a admiração dos superiores, se odiasse os bancos e os banqueiros com todas as células de seu corpo. Claro que ao chegar ao poder o imberbe de antanho não daria colher de chá a banqueiro. Certo? Não, claro que não! Banqueiro adora tanto o espirito juvenil dos revolucionários de 1960 que um grandão oferece seu principal executivo para governar o País.

“Botaram o Brasil de cabeça para baixo. Você me conhecem, não conhecem?” Perguntava aos caras da sua mesa só para ouvir, “claro, claro que te conhecemos, você é o maior reacionário da paróquia” seguida de gargalhada geral. “Estou aqui nesse boteco de última categoria (nem tanto, nem tanto disse alguém), tomando uísque vagabundo (ao reclamar do uísque me passou a impressão de ser um direitista de escola: tomava aquilo por não ter outra opção) torcendo para um banqueiro consertar nosso Brasil.”

– Você não precisa torcer para que o Levy conserte a economia. Deixe que ele se exploda junto os malandros do Lula, disse um cara da mesa ao lado que ouvia o papo.

– De jeito maneira, a direita brasileira não pode falhar nesta hora crucial, é questão de honra para nós que esse jovem executivo de banco Bradesco nos tire do buraco. Lembra que com o Henrique de Campos Meirelles no Banco Central a gente não deixou o Lula fazer bobagem?Além, do mais, se errarmos agora pode vir impeachment e a gente cai do poder.

Pano rápido!

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