A Evolução do Rádio

Publicado em: 15/02/2006

Nas últimas décadas o rádio evoluiu de forma assustadora. Já estamos vivendo a era do rádio digital AM (amplitude modulada). O velho caixote de abelhas dá lugar a um moderno aparelho com som limpo e de longo alcance. Os programas de computador, cada vez mais avançados produzem e executam tarefas radiofônicas que antes necessitavam de dezenas de pessoas.
Por Léo Saballa

O telefone celular faz a diferença na programação jornalística, aposentando as jurássicas maletas de som que só funcionavam manuseadas por um técnico experiente. Mesmo assim, o som era uma mistura de chiado e panela de pressão fervendo. Parecia que o locutor falava de dentro de uma lata fechada.
Na época em que comecei a trabalhar em rádio o transmissor era uma imensa caixa de ferro que abrigava dezenas de válvulas incandescentes, maiores que uma garrafa de refrigerante de dois litros. Não existia link e a conexão com o estúdio era feita fisicamente através de quilômetros de fios que se rompiam vez em quando. Encontrar o ponto danificado era uma paciente tarefa que demorava até dias.
No estúdio, as dificuldades também assumiam grandes proporções. Os comerciais gravados eram reproduzidos em discos de ferro de 78 rotações. Os pratos (nomes dos toca-discos), giravam na força de uma correia elástica que se desgastava rapidamente e ploc, arrebentava nas horas mais impróprias. Nos anos 70, a novidade passou a ser o gravador Akai, um equipamento do tamanho de uma TV 29 polegadas que permitia gravação em fitas de rolo. Depois veio a famosa cartucheira, que não travava no fim do comercial e só funcionava na base da pancada. Além disso, as fitas precisavam ser cortadas literalmente com a ajuda de uma gilete e coladas com pequenas fitas adesivas. O operador não podia tremer a mão. Não havia como trabalhar de ressaca.
O rádio de hoje, inteiramente informatizado é mais profissional, mais moderno e por isso mesmo mais robotizado. Não se trata de saudosismo, mas a função de radialista em algumas décadas, burocratizou-se e perdeu o romantismo. Ainda assim, vejo no rádio um veículo de humanização. Acima de toda a tecnologia, o rádio só continuará encantando os ouvintes com uma programação de qualidade. E isso só é possível com bons profissionais, com gente que sabe que rádio, digital ou valvulado é acima de tudo um propagador de emoções.

Observação: A foto é de uma válvula em funcionamento.


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