A força do hábito

Publicado em: 24/03/2020

Hábito: Inclinação ou disposição para agir do mesmo modo em determinadas situações. Comportamento particular, costume, jeito. Forma de reação adquirida que em geral não varia. Modo padronizado de pensar, agir. Tornou-se em grande parte inconsciente e automático. Essas últimas palavras, amigo Dicionário, caíram como uma luva para essa crônica: Entre a disposição de agir, pensar; coisas do nosso dia a dia, fazemos – pode-se dizer – de maneira inconsciente e no automático.

Que coisas os amigos leitores lembram que têm como hábito? Hábito, costume, vício ou virtude. Cuidado para não confundir. Há hábitos que podem nos deixar constrangidos, e por vezes é algo simples que para muitos parece loucura. Não conte a ninguém, por favor, mas faz alguns meses que desenvolvi o hábito de escovar os dentes todas as vezes que vou ao banheiro à noite. E tenho me levantado várias vezes; bexiga ou próstata, ainda estamos investigando, mas é ir ao banheiro e depois escovo os dentes. Mas há outros hábitos e que agora em tempos de quarentena, devido ao vírus – COVID-19, podem se evidenciar.

A primeira coisa que me chamou atenção no início da quarentena foi a dúvida dos pais sobre o que fazer ou como brincar com os filhos. Ouvi críticas a esses pais, mas confesso que embora em minhas colunas costumo criticar os pais que participam mais dos assuntos do seu clube ou time de futebol do que dos assuntos dos filhos, educação, escola, seus sonhos e dificuldades; dessa vez percebi uma diferença. Há pais que deixam a desejar, existem aqueles que parecem mais reprodutores do que pais. No entanto, vejo que o sistema em que vivemos colocou famílias em divisão. Pai, mãe, como marido e mulher, pais e filhos têm cada vez menos tempo juntos. O trabalho, o trânsito, cursos e mais cursos têm separado famílias. Num momento desses pais em casa não têm paciência ou não sabem brincar não por não serem bons pais, mas por esquecerem como. Assim como casais que ficam por anos e anos sem sair a sós, quando saem para um jantar, por exemplo, fazem o pedido, comem, pagam e vão embora. Que diferença dos tempos de namoro.

E em casa, fazer o quê? São tantas as coisas que se não fosse pelo triste motivo que é iríamos querer mais quarentenas. Primeiro: Parentes e amigos com os quais faz meses ou anos que não falamos. Que tal telefonar ou enviar mensagens? Escrita ou de voz, com fotos inclusive. Talvez um desafeto, uma briguinha à toa, aliás, nunca vi ninguém brigar por coisa séria. Um pedido de desculpas ou simplesmente recomeçar o contato. Segundo: O curtir a casa. Quantas vezes bateu aquela preguiça, vontade de aproveitar a cama ou o sofá, mas não dava tempo? Terceiro: Um ou alguns livros para ler. A maravilha da leitura. Livros que pensamos em ler faz tempo, mas nunca deu tempo, agora o que mais temos é tempo, e sabe-se lá por quanto tempo. Quarto: Músicas. Indicar livros ou músicas é delicado. Há gostos diferentes. Mas que música ou músicas marcaram a sua vida? A primeira paixão. Os primeiros sonhos românticos acordado, com os pés no chão e a cabeça na lua, o coração perdido entre a razão e a ilusão; a vitória quase sempre era a da ilusão. Mas que tal procurar àquelas músicas que marcaram lindos momentos, mesmo que só nós saibamos quando e por quê? Quinta opção: Que assunto ou assuntos notei nas conversas de amigos, televisão, rádio ou revista, do qual nada sabia ou pouco lembrava? Que matéria gostava nos tempos de escola, mas talvez na época não me aprofundei? Há uma infinidade de coisas que não sabemos; eis a maravilha da vida – somos ignorantes na maior parte dos temas, todos nós. Não há ninguém, nenhum ser humano por mais inteligente que seja que domine tudo o quase tudo em termos de conhecimentos. Enfim, estudar. Ler é uma coisa, traz prazer e conhecimentos. Estudar traz mais do que prazer. Estudar nos dá maior e melhor conhecimento. Sexto e não menos importante: Reflexão. Refletir sobre nossa existência. Por que o sol está numa distância da terra que se fosse centímetros mais próximo ou mais distante nos derreteria ou congelaria? Por que fomos presenteados com o maravilhoso paladar? Como explicar que o nosso cérebro está acima dos melhores computadores, tanto é que o ser humano cria o computador e não o contrário? Refletir sobre as críticas que fazemos aos outros, por suas decisões, por sua religião ou crenças.

Fechando por aqui sabemos que a reflexão nos leva a uma mais profunda: Nenhum de nós sabe com certeza se estará aqui amanhã. Pai, mãe, avós, tios, primos, filhos, irmãos, amigos, nossos animaizinhos de estimação, quem garante o nosso tempo de vida? Abraços e palavras só podem ser sentidos e ouvidos em vida. Com certeza a vida não é uma novela onde o autor com habilidade e criatividade faz nascer e morrer, muda situações etc. Nós recebemos um “caderno em branco e uma caneta” para escrever a nossa história. E é verdade que a dos outros influencia a nossa e a nossa a de outros; que seja para o bem. E ainda falando em animais acredito que os atentos leitores já perceberam que todo morador em – situação de rua (o mesmo que morador de rua, apenas um novo nome), sempre tem um cachorro. Seja embaixo de uma ponte, na chuva, no sol, no calor e no frio, com ou sem comida, o cão não vai embora. Confesso que até hoje tenho uma dúvida: Quem adotou quem? Os hábitos fazem parte da nossa vida, por isso parece que vivemos um momento incrivelmente especial, esse isolamento social, essa quarentena. Uma coisa é certa, é ora de termos mente aberta para reavaliar nossos hábitos. Não quer dizer abandonar os bons e velhos, mas adquirir bons e novos.

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