A força do rádio no Rio Grande do Sul

Publicado em: 20/07/2010

Foto: Luciano Costa/RBS Rádios

Fernando Morgado

Entre os dias 16 e 17 de julho, participei como palestrante do 10º Seminário da Qualidade na Radiodifusão. O evento, promovido em Porto Alegre pelo Sindirádio/RS (Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão do Rio Grande do Sul), reuniu empresários e gestores de todas as maiores emissoras de rádio do RS, sendo esta mais uma demonstração da excelência presente não apenas na radiodifusão da capital gaúcha como também de todas as outras regiões do estado.

Dentre muitas coisas, pude testemunhar o quanto a fortíssima identidade tida pelos gaúchos — claramente presente na música, na fala, na gastronomia, no respeito à História e aos símbolos regionais e até no futebol — contribui para a construção de emissoras sólidas, afinal, elas devem ser a extensão natural do jeito de ser dos seus ouvintes e da sua comunidade.

O papel cumprido pela mídia rádio no Rio Grande do Sul é notável. Diversas estações de lá possuem estrutura e resultados de audiência e faturamento somente comparáveis (ou até mesmo superiores) aos do eixo Rio-São Paulo. Pude conhecer, através das conversas com empresários e profissionais do meio, vários exemplos espetaculares de inovação, numa prova de que o rádio não está morrendo, pelo contrário: ainda há um imenso campo, tanto no âmbito comercial quanto no de conteúdo, que pode (e deve) ser explorado visando a geração de novas formas de fazer, ouvir e vender (tempo e conteúdo) rádio. Para conseguir isso, é necessário aliar conhecimento profundo da linguagem deste meio, disposição para investimentos e coragem em apostar no novo, sem perder a sua identidade nem a sua História. Isso tudo, os radiodifusores gaúchos tem.

A primeira palestra, apresentada pelo Prof. Dr. Luiz Arthur Ferrareto, traçou um brilhante paralelo entre a história do rádio riograndense, as transformações nos formatos de programação e as novidades tecnológicas, comprovando o dinamismo desta mídia e o seu forte poder de reinvenção.

Em seguida, foi minha vez de palestrar sobre a força das marcas e do conteúdo das rádios nascidas no AM, em especial as emissoras no formato talk. Meu objetivo foi mostrar, com diversos exemplos nacionais e internacionais, que este formato de programação nunca foi tão importante quanto hoje, afinal, ele é o melhor para prestar serviço, informar, entreter e reforçar a alma local. Além disso, o talk tem diversos diferenciais competitivos que outros estilos não possuem, como o fato dele ser totalmente produzido pela emissora, o que permite maior controle sobre a qualidade do conteúdo e mais liberdade na hora da sua comercialização.

Por fim, Roberto Canázio, âncora dos programas “Se Liga Brasil” e “Se Liga Rio” da Rádio Globo, mostrou os expressivos resultados conquistados pela emissora mais tradicional do Sistema Globo de Rádio desde o seu reposicionamento de marca, realizado em 2009 (no qual eu tive a oportunidade de ser um dos profissionais envolvidos). Canázio, com seu olhar apaixonado sobre o rádio, também reforçou a importância dessa mídia para os dias atuais e definiu o meio de forma muito precisa: “rádio é emoção”.

Todos os que estiveram no 10º Seminário da Qualidade na Radiodifusão saíram de ânimo renovado e com a certeza, embasada pelos diversos dados mostrados por todos os palestrantes, da perpetuação do rádio e da sua real importância para a sociedade, principalmente nos dias atuais, já que nunca se consumiu tanto conteúdo de áudio na História.

Aproveito a oportunidade para agradecer ao Ary dos Santos, presidente do Sindirádio/RS; Marcos Praia, gerente-executivo do Sindirádio/RS; Antunes Severo, diretor do Instituto Caros Ouvintes; e à todos os radiodifusores do Rio Grande do Sul que, mais uma vez, provaram a força da comunicação e do povo gaúcho, que serve de modelo para todos nós.

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