A mesma rua

Publicado em: 22/04/2012

A rua era a mesma. Só o pensamento continuou cada vez mais conturbado. Uma dor aguda que vinha não se sabia de onde, o fazia sofrer muito. – Ora, isso acontece! Dissera ela. Tentava convencer a si próprio. Em vão. A noite parecia rir do seu fracasso como homem, homem-macho. Os ônibus passavam e riam; o néon gritava, gritava em cores (quem disse que néon grita e gargalha…?) e gargalhava mensagem publicitária… Sentia sede. Náuseas. Vergonha. Vontade doida de morrer. Não conseguia pensar, nem saber aonde ir. Foi andando. Simplesmente. O frio não o incomodaria mais. Nunca mais. Nunca mais. – Ora, isso acontece! Mas deixe o quinhentão, porque eu não tenho culpa! Do livro: Uma palavra, apenas. Donato Ramos, 2011

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