A música que vem do Sul – 3

Publicado em: 13/01/2008

Acredito que o talento seja uma maldição, pois diariamente presenciamos a batalha inglória daqueles que optam por realizar as suas potencialidades latentes, sacrificando a própria sobrevivência.
Por José Alberto de Souza

É bem verdade que alguns são bafejados pela sorte de serem descobertos em meio a uma diversidade de competências escondidas sobre o manto das generalizações.
Assim, interpretamos a consagração nacional de expoentes da nossa cultura, tais como Érico Veríssimo e Lupicínio Rodrigues, sem dúvida alguma detentores de indiscutíveis méritos, porém, sobrepondo-se a outros tantos que nada ficariam a dever-lhes caso tivessem a seu dispor uma divulgação mais eficaz.
O saudoso Jorge Costa, autor e intérprete de músicas de grande sucesso na sua época, como é o caso de Triste Madrugada, dizia-nos que o seu grande problema era o de morar no lugar errado – São Paulo – o que lhe acarretava deslocar-se ao Rio de Janeiro e esperar vários dias para encontrar Beth Carvalho, então fazendo temporada de shows pelo Brasil afora, obrigando-o a voltar sem conseguir o seu intento por não dispor dos recursos necessários.
Aqui em Porto Alegre, podemos citar o caso de Adylson Rodrigueiro, que vem fazendo um esforço sobre-humano para impor-se na sua carreira de poeta, compositor, músico e intérprete e investindo além de suas posses para alcançar o seu objetivo.
Com o apoio do FUMPROARTE, já conseguiu editar o livro e CD – O Tecelão de Fantasias (1998) – onde apresenta composições próprias.
Na sala Álvaro Moreyra, do Centro Municipal de Cultura de Porto Alegre, apresentou o espetáculo Consciências, que teve a participação do grupo Entre Cordas e Acordes, com Chico Pedroso (cavaquinho), Guaracy Gomes (bandolim), Luiz Palmeira (violão 7 cordas) e Valtinho (pandeiro), bem como da cantora Marília Palmeira e mais o grupo Tribo da Vila constituído pela percussão de Álvaro, vocais de Daniela e violão, contrabaixo e vocais de Jerônimo Rodrigues, seu filho.
Em 2005, lançou a sua coletânea de MPB composta em Porto Alegre, intitulada Enxuga Teu Pranto, com a colaboração dos instrumentistas Marco Farias, Chico Pedroso, Silfarnei Alves, Fábio 7cordas, Valtinho, Marcelo da Cuíca e Paulo Goia – além dos discos temáticos Amantes e Pecadores (românticas) e Terapia de Malandro É Conversa de Botequim (sambas).
A sua obra pode ser considerada performática, poética e romântica, alegre e brejeira, com toques de crítica social, valendo-se de violão e voz – regional brasileiro (violões, cavaquinho, bandolim e percussões) – piano e voz – ou então quinteto (teclados, baixo, bateria, violão/guitarra e sopros, conforme o formato temático e rítmico.
Deixamos para que os leitores tirem suas conclusões, escutando as faixas que selecionamos no álbum Tecelão de Fantasias, 3 – Pedaços, e 8 – Minha Loucura, a fim de aquilatar sobre as possibilidades do nosso Adylson Rodrigueiro, o Poeta Vadio, merecer a sua chance no mercado nacional de discos.

PEDAÇOS
(Adylson Rodrigueiro)

As canções que faço
E mesmo traço
São pedaços
Das saudades
Dos carinhos,
São cansaços.
Nas calçadas
Os meus passos,
Sons formando laços
Como braços num abraço
Em canções
E seus compassos.
As canções que faço
São janelas, são espaços,
Aonde me debruço
E me desfaço
Em pedaços de amor.

[ Clique para ouvir ]

MINHA LOUCURA
(Adylson Rodrigueiro)

Já te dei
O carinho mais puro
Que pude guardar
Entreguei,
Num abraço seguro,
O desejo de ficar
Ficar com você.
Te beijei
Como os raios do sol
Beijam a espuma do mar.
Te amei
Como o negro do céu
Ama a luz do luar.
Viajei
Por nuvens tão brancas.
Já fui ventos calmos.
Já fui temporais.
Construí,
Na magia dos versos;
Um novo universo.
– o que faço mais?
Sei que as palavras não bastam.
Sei que os gestos são poucos
Mas se os amantes são loucos,
Minha loucura é você.

[ Clique para ouvir ]

 
 


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