A ocasião faz o ladrão?

Publicado em: 27/11/2014

Durante anos e anos ouvia esse ditado e discordava dele, mas não sabia como o corrigir. A famosa frase me fazia pensar que se isso fosse verdade seria o mesmo que dizer que todos nós somos ladrões em potencial. Em outras palavras, é só alguém dar uma “bobeira” ou deixar algo de valor próximo a nós, ou mesmo uma oferta leviana sem ninguém mais nos observando e já aceitaríamos a oportunidade. Pensar que eu, meus filhos, meus pais, meus amigos, são todos ladrões em potencial era frustrante. Um dia ouvi um estimado colega, grande comunicador, colocar a frase do jeito certo, de uma maneira que assino embaixo.

Ele disse: “A ocasião revela o ladrão”. Perfeito. Então posso falar ou escrever sobre a frase. Quem é honesto é honesto sempre, é sua essência, tem bom caráter. É verdade, todos nós somos imperfeitos e sujeitos a erros, a “mancadas”, mas caráter, honestidade, são qualidades que não se corrompem facilmente.

A ocasião revela o ladrão. Ou seja, a pessoa já é desonesta, não tem bom caráter, não há nela boa índole, então, ao surgir à primeira oportunidade ela aproveita. Até cria uma situação favorável se for preciso para tirar suas vantagens. Grande Prates. Tinha que ser dele essa correção: A ocasião não faz o ladrão, e sim revela o ladrão. Hoje posso escrever e falar sobre isso sabendo que há seres humanos com boa e má índole. Não esqueça amigo leitor (a); ocasiões só revelam quem é mau caráter. Quem é bom é bom e pronto.

2 respostas
  1. Analí says:

    Machado de Assis já havia corrigido esse provérbio, pensando talvez o mesmo que você. A versão corrigida dele diz “a ocasião faz o furto; o ladrão nasce feito”, a mesma opinião que a sua: questão de índole.

    Concordo com o que disse, mas não vejo o ditado de forma tão literal como vocês. Penso que a interpretação não é limitada somente ao caso do ladrão ou à intenção de generalizar uma índole. Fora desse contexto, o ditado parece falar do risco de agirmos por impulso diante de tentações mais fortes pra cada pessoa em específico. Para um ladrão é uma ocasião, para um homem casado é outra, pra quem tá pretendendo tomar apenas 1 cerveja e ir pra casa é mais outra diferente, etc. Acho que assim o ditado ganha mais sentido, porque passa um ensinamento referente a todos, incluindo nós mesmos. Doutra forma, a pessoa estaria confessando que também roubaria se tivesse a chance, se auto denegrindo. O que você acha?

  2. Aldir says:

    Pensei a mesma coisa da Analí. Como todo, ou quase todo, não dá pra levar um ditado ao pé da letra. Neste caso é perfeitamente possível generalizar. Principalmente no que tange aos desejos e necessidades humanas. Porém, Machado de Assis foi muito mais profundo em sua “correção”, pois ele quis enfatizar justamente a natureza humana.

    Ademais, não foi uma correção, pois as frases são semanticamente equivalentes. Observe quando se diz: a ocasião “faz” o ladrão. Esse “faz” pode muito bem ter o sentido de “mostrar” ou “revelar”. O que acontece na frase “a ocasião faz o furto” é denotar claramente o sentido de “faz” por fazer mesmo, deixando bem claro que o “ladrão” já nasce feito.

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