A Paixão de Cristo*

Publicado em: 31/03/2013

Há uma passagem na Bíblia que descreve o sofrimento de Jesus durante o Martírio. No mundo inteiro a narrativa é relembrada durante a Semana Santa por artistas profissionais e amadores. Na Ilha, ficaram famosas as encenações de Rio Apa nas areias da Lagoa da Conceição durante a década de 1980. Mas, muitos anos antes, a cena já servia de inspiração para os artistas ilhéus.

Integrante de um grupo de teatro amador, Armando Luiz tinha diante de si o desafio de representar nada mais nada menos que o protagonista da peça “A Paixão de Cristo”, ponto alto das comemorações da Páscoa na cidade.

A apresentação aconteceria no Teatro Álvaro de Carvalho. Pisar o palco que recebeu os maiores nomes da dramaturgia nacional não é coisa para qualquer um, mas ele daria conta do recado, ninguém duvidava. O problema do Armando era a cachaça. O bicho era chegado!

Após meses de exaustivo ensaio, chegou o grande dia. Ou melhor, a grande noite. Casa cheia, movimentação intensa nos bastidores, devidamente paramentado, o Armando, andava para cá e para lá, ansioso.

Soou o gongo. Apagaram-se as luzes do grande lustre. Silêncio. Primeiro ato, segundo ato. Crucificado, Cristo, sedento, pede um gole de água ao soldado romano. Todos sabem o desfecho da história. A platéia, levada aos limites da emoção, via o recipiente se aproximar dos lábios de Cristo já esperando o grito lancinante de dor, quedou parada, perplexa, ao perceber na fisionomia de Cristo um largo sorriso de satisfação.

Acontece que, sabedor da inclinação do Armando, um gozador trocou a água que faria as vezes de “fel” por dois dedos da branquinha. Daí que, no ápice do seu calvário, “Cristo” exclamava em júbilo: “Mais fel, mais fel!”. * (História corrente na memória da Cidade, confirmada por Luiz Armando Camisão, neto do artista).

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