A patologia do igualitarismo

Publicado em: 22/05/2013

Durante o debate sobre os 10 anos de governo petista a filosofa Marilena Chauí, musa da falecida esquerda brasileira, vociferou, sob chuva de aplausos: “Eu odeio a classe média”. Só Sigmund Freud explica porque a classe média presente ao encontro se odeia tanto.

“A classe média é o atraso de vida”, desandou a professora da USP. E reiterou: “classe média é estupidez. É o que tem de reacionário, conservador, ignorante, petulante, arrogante, terrorista”. Garota eficiente em pregar o tal ódio de classes…

Nada de novo nesse ódio dos intelectuais à classe média, que na verdade vem a ser o que a antiga esquerda chamava de pequena burguesia. Céus, não havia ofensa mais virulenta do que chamar alguém de pequeno burguês.

Pequena burguesia ou classe média funciona – segundo os teóricos stalinistas, maoístas, castristas, leninistas – como algodão entre os cristais, ou seja, evita o necessário choque entre o operário e o burguês (capital e trabalho) impedindo a parusia, em outras palavras, impedindo a implantação do igualitarismo (comunismo). Os anos de 1960/1970 foram pródigos em destilar esse tipo de ódio juvenil.

Podemos interpretar de vários ângulos esse ódio da filósofa (péssimo exemplo os alunos falar desse modo), mas para mim o que está embutido na frase é o sintoma de doença inerente ao igualitarismo. A ânsia por igualdade é incomensurável e as veias do pescoço engrossam no calor dos debates como provou a manifestação da filósofa. O diabo que é essa coisa de igualdade cai num igualitarismo tão tosco na boca da falecida esquerda que a patologia nele embutida vem sendo descuidada.

Partimos do principio de que somos todos iguais, absolutamente iguais, saímos todos da mesma forma, à imagem e semelhança de Deus e, assim, qualquer observação diferenciada é pecaminosa ou reacionária, o que vem a ser a mesma coisa. O discurso da igualdade foi vital para nos levar a um patamar civilizatório que colocou a dignidade humana como valor supremo, mas tornou-se tragédia na outra ponta ao municiar quem, mecanicamente, deseja impor sistemas que funcionam só se fossemos pasteurizados.

Tal ansiedade gerou, diante de distorções na sociedade, duas palavrinhas tiradas da cartola do mágico: socialismo e comunismo que, no século passado, foram pródigas em mobilizar homens e mulheres em todos os recantos; o banho de sangue gerado por esse igualitarismo demente ainda não é avaliado com objetividade. Mesmo porque comete pecado mortal quem ouse fazer qualquer consideração que cheire contestação ao ideal da busca dessa igualdade absoluta. O mundo passou um século empurrado pela busca dessa igualdade e só produziu atrocidades

O que vemos hoje dando a entender que não aprendemos a lição? A mesma cantilena, a mesma baboseira e nós aqui na planície aceitamos tudo! Quem não tolera as diferenças? Principalmente gente que acorda, depois da festa noturna, e se acha ungida pelos deuses para pregar a igualdade absoluta e a prender, arrebentar, expulsar, matar quem não quiser ir para o paraíso proposto.

Até quando esse barbarismo? Uma coisa é lutar com determinação (obrigação de todos) para corrigir distorções sociais, impedir injustiças, outra bem diferente e colocar todo mundo no liquidificador    como se fosse Deus refazendo sua obra…

Afinal, os regimes comunistas não funcionaram, mesmo, por quê? O sonho de uma sociedade foi pro brejo na Chica, Russa, Cuba, Camboja, Coréia por quê?

Por fim, e mudando de assunto: será que Marilena Chauí não ofendeu em demasia a presidente Dilma que se orgulha do País de classe média que vem fazendo?

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