A rabeca do Pastor

Publicado em: 02/09/2007

O Rádio sempre foi e continua sendo um companheiro inseparável nos rincões mais distantes do país. Nos fundões do enorme município de Guarapuava (Pr), houve um tempo em que só ouvia rádio quem tinha um movido à bateria, que nessa época atendia pelo apelido de “Acumulador”. No armazém de Loli Bastos os fregueses podiam comprar o rádio e o acumulador e tinham a vantagem de dispor de uma central para recarregar a fonte de energia. Entre os mais fiéis fregueses estava um agricultor de poucas letras e muita vontade de entrar em sintonia com o mundo.

Certo dia chegou no armazém com um maço de dinheiro embrulhado num cartucho de papel, com objetivo de comprar seu primeiro rádio com acumulador. Feita a compra pediu ao Loli um favor especial. Queria que o rádio fosse entregue com a sintonia ajustada numa determinada emissora.
– Sabe, Loli, eu queria que você “ponhasse” direitinho no lugar de escutar, porque eu não fui na escola e a mulher é burra que é só ela.
Foram dias de muita alegria no sitio, único da redondeza onde se ouvia rádio. Os vizinhos se reuniam para escutar um pastor Luterano que fazia suas pregações acompanhadas pela musica que saia de uma velha rabeca.
Passado algum tempo o homem estava de volta no armazém de Loli Bastos. O “acumulador” precisava ser recarregado. Levou junto o rádio.
Dia seguinte foi apanhar a bateria e o rádio. Veio um novo pedido para que o dono do armazém fizesse ajuste de sintonia no aparelho.
– Sabe, Loli, eu queria que você “ponhasse” o rádio no lugar de escutar os programas. Mas pode tirar o homem que toca a rabeca. A gente “num guenta mais” ouvir aquela rabeca.


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