A Rádio da Barata Rainha

Publicado em: 22/12/2008

A generalização é um convite ao equívoco. Por isso evito-a. Há, porém, algumas reforçadas por evidência histórica. Como, por exemplo: todo o publicitário foi ou gostaria de ter sido radialista.

Os casos dos que escapam ao rigor estatístico, por certo, dificilmente deixaram de um dia apaixonar-se por radialistas – eles por elas radialistas, elas por eles radialistas.
 
Falo aqui de alguns publicitários consagrados e que foram radialistas assumidos, outros nem tanto, é verdade, mas que viveram suas emoções ao microfone de uma emissora de rádio. É o caso do Rodolfo Lima Martensen, fundador da Escola Superior de Propaganda e Marketing que começou trabalhando em rádio na cidade de Rio Grande, sua terra natal ou de Washington Oliveto que ouve religiosamente a Voz do Brasil – “É para estar informado”, me disse ele bisbilhotando umas colchas de renda de bilro na Lagoa da Conceição.

A lista é grande e por isso vou resumir mostrando um fato do nosso cotidiano. Ás quintas-feiras um grupo de publicitários com maior quilometragem se reúne para almoçar. Isso faz pelo menos uns três anos. O pessoal gostou, o grupo entendeu que deveria ter um nome para se identificar – imagina! Publicitário sem um luminoso! – foram dois anos de brainstorming e nada de sair o nome do grupo.

Finalmente em 2008 os criativos despertaram, aliás, um criativo (Emílio Cerri) e o nome saiu: ComGurus. Assim mesmo com “o” e “m”. É a abreviatura de comunicação, a palavra guru no plural e a brincadeirinha com o nome daquele bípede australiano, muito simpático por sinal. (Meninos, eu sei que vocês poderiam dispensar todas essas informações, mas o site tem leitores também de fora do “trade”, é assim que se diz agora?).

A confraria é formada por seis ex-rebeldes rapazes, hoje bem comportados senhores sessentões: Júlio Pimentel, George Alberto Peixoto (Picolé), Francisco Socorro (Chico), Emílio Cerri Neto, Elóy Simões e o locutor que vos fala. E todos – a exceção do Chico, para que a regra se confirme – começaram atrás da latinha (microfone, para os não iniciados).

E por que essa lengalenga, se nem o título tem a ver como o que se disse? Eis aí o vosso engano. Tem tudo a ver, pois que o personagem principal ainda está por entrar em cena. Refiro-me ao jovem e abastado publicitário – de mão cheia, diga-se de passagem – Adir Mazzuco que iniciou suas experiências comunicativas seduzido pelos encantos das platéias radiofônicas. A ponto de, sem cerimônia e sem pejo, ter participado das nefandas escaramuças sonoras “A Lenda da Galinha Mamífera” e “The Killing Burp” levadas ao éter pelas ondas das rádios União e Atlântida FM de Florianópolis no ano da graça de 1990, servindo-se por certo dos ventos que sopravam após a queda da ditadura militar iniciada em 1964.

Flagrante pictográfico retirado do jornal RADAR de Lázaro Bartolomeu

Flagrante pictográfico retirado do jornal RADAR de Lázaro Bartolomeu

Mazzuco, após aquele experimento insólito, criou juízo, estudou e entrou para o ramo das ilusões: virou publicitário. Ainda bem que dos melhores, mais probos e por conseqüência mais próspero. Só que a Mutuca Daninha voltou a atacar, passados dezoito anos – uma vida, como diria dona Amália eis que ele retorna ao espectro acústico com a fantástica, extraordinária, inimitável e impossível de resistir “Rádio Araruta”, que já está sendo chamada de “A Farinha do Mazzuco” em alusão A Sopinha do Zarur, também grande radialista.

Por tais (o cacófato é proposital) circunstâncias recomendo uma visita ao site http://www.baratarainha.com.br/ onde, pelas sombras de pretensas matérias recordativas, se esconde a lendária emissora.

1 responder
  1. Mazzuco says:

    Mestre Antunes, agradeço de coração as suas palavras. Participar de um grupo com esse, de nosso almoço é uma honra e certamente uma experiência das mais gratificantes. Beber um pouco da sabedoria de vocês, pessoas das quais me orgulho de poder dizer “meus Amigos” (assim mesmo com A maiúsculo) é, para esse Comguru aspirante, um grande escola. E ouvi-lo falar de sua vida, como profissional talentoso que é, é de emocionar. Por isso, vida longa aos Comgurus e aos amantes de Rádio (assim mesmo, com R maiúsculo) Grande beijo nesse coração, Mestre!

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