A recepção

Publicado em: 19/04/2008

Uma das características que marcam a personalidade do caiçara no litoral brasileiro é a grande facilidade de colocar apelidos. Isto tem sido constatado ao longo dos anos, em cidades como Paranaguá, Guaratuba, Morretes, Antonina, Matinhos, Itajaí, São Francisco do Sul, Florianópolis e por ai afora.
Por Jamur Júnior

 Colocam apelidos com precisão e num improviso super rápido. O jeito de andar, de falar, a roupa que veste, qualquer detalhe serve para inspirar um novo apelido. São apelidos tão bem colocados que pegam forte e muitos deles ficam como herança para os descendentes.
Existem famílias inteiras com apelidos que passam de pai para filho em muitas gerações. Em campanhas eleitorais é comum encontrar propaganda de candidatos onde o nome de batismo é omitido dando lugar ao apelido. E se não for assim o eleitor não consegue identificar o candidato.
Em Paranaguá há muitas e boas historias a respeito de como determinados apelidos foram colocados em suas “vitimas”. Na época em que a maioria das pessoas viajava de trem entre Paranaguá e Curitiba, a Estação Ferroviária vivia repleta de passageiros e carregadores de malas que disputavam clientes.
O chefe da Estação Ferroviária era senhor Elpídio Miranda, pai de Osvaldo de Souza Miranda, um dos maiores locutores do rádio brasileiro. A chegada do trem era uma festa. Meninos vendendo balas, maria-mole, quebra-queixo, e bala de banana. Mulheres elegantes, algumas de chapéu, outras menos, com um lenço sustentando o penteado onde se destacava um grande topete, levando numa das mãos uma “frasqueira” e na outra um leque com estampa espanhola.
Contam que certa ocasião chegou um cidadão muito bem vestido, terno completo, incluindo o colete, um chapéu Ramenzoni, trazendo muitas malas e revelando grande dificuldade para segurar objetos. O homem sofria de uma doença que estava atrofiando suas mãos. Uma delas já mal conseguia abrir.
O carregador pegou suas malas e saiu em direção ao Hotel Palácio que ficava na Praça Fernando Amaro, distante menos de duzentos metros da estação ferroviária. Chegando à portaria do hotel, largou a bagagem em frente ao funcionário da recepção e ficou esperando o cliente que vinha logo atrás. Foi quando o funcionário do hotel fez a pergunta que resultou num apelido famoso.
– Ei, Jango, de quem é essa bagagem?
– É daquele “Mão de Gengibre” que vem ali de terno azul.


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