A revolução dos cabeludos nativistas

Publicado em: 07/01/2008

Aquele estilo meio platino de ser, inclusive com a garrafa térmica e a cuia de mate à mão, andando pela rua, não é uma exclusividade dos torcedores do Boca Júnior. Quase todos os artistas do nascente Movimento Nativista tinham longos cabelos e 100% deles faziam suas canções dentro da temática dos excluídos ou oprimidos.
Por Homero M. Franco

O festival chamado Califórnia da Canção Nativa do Rio Grande do Sul, lançado em Uruguaiana e copiado por mais de 100 cidades inclusive de outros estados, como foi o caso de Lages-SC, serviu de marco divisório entre a música dos estancieiros, pacholenta, ufanista e a música do sofrido, negro, peão e romântico trabalhador.
Pacácio, o peão que vai amar sua negra Maria numa velha tafona abandonada, retrata um pouco disso. O autor (Luiz Carlos Borges, de Romance na Tafona) ainda teve tempo para descrever os trovões, os raios e a exuberância natural, que o estancieiro não cuidava e destruía. 
Mais de 10 mil músicas temáticas sobre o rio, a mulher, o negro, o peão, o mate, o churrasco, o cavalo, as lides campeiras, os sonhos do homem e da mulher pobre, do índio e do mestiço tiveram por melodia a milonga, o bugio, a vaneira, o chamamé.
O rádio sulbrasileiro encontrou no nativismo um manancial de cultura de raiz. Não foram poucos os radialistas, compositores e cantores que se tornaram famosos dentro dessa nova maneira de fazer cultura, trazendo para a canção os valores da alma do povo.
Foi com esta proposta que a saudosa Rádio Barriga Verde FM, deu espaço para Mano Terra levar ao ar, durante quatro anos, com liderança de audiência naquele horário (06h00min-07h00minh) o programa “Raízes Nativas”. 
 


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