A transformação midiática em voga

Publicado em: 11/03/2011

Temos presenciado fatos inaceitáveis em todas as mídias, especialmente com certa constância no rádio, que com isso está perdendo a força que teve no passado. Parece até que a programação de antigamente supera a de hoje e isso leva à uma questão: como se forma um radialista nos dias atuais? Aqui em Fortaleza, o Sindicato dos Radialistas promove cursos visando a formação do candidato a radialista procurando capacitá-los, a pelo menos, manusear um microfone e repassar “sua experiência” para milhares de ouvintes em todo o Estado.

Normalmente os cursos de jornalismo das Faculdades de Comunicação Social se esforçam em preparar profissionais para esse mister. Algumas dessas faculdades inserem em seus currículos matérias (cadeiras ou disciplinas) voltadas para o rádio, inclusive considerando a parte prática em até dois semestres.

Fora das faculdades também existem cursos técnicos que preparam profissionais para exercer a profissão. Não obstante esse esforço, o que vemos hoje é deplorável. Em primeiro lugar, as próprias emissoras estão colocando pretensos radialistas para exercerem funções de comentaristas sem qualquer qualificação. E vão mais além essas emissoras: elas estão vendendo horário a peso de ouro para que o profissional habilitado ou não, faça a programação do seu agrado, esquecendo totalmente quem está por detrás do dial, que merece o nosso respeito, pois a pornografia e a pornofonia aumenta dia a dia.

Essa situação, no geral, ocorre pela facilidade com que empresários e políticos desqualificados adquirirem junto ao Ministério das Comunicações a concessão para utilizarem canais radiofônicos. Disso decorre, também, a proliferação de emissoras em frequência modulada (FM) em detrimento das emissoras em amplitude modulada (AM).

Além disso, programas de cunho religioso têm crescido demais e são apresentados por membros de igrejas e por pastores, em sua maioria, despreparados para exercerem a função de locutor ou radialista, enquanto profissionais, mesmo de posse da Carteira do Trabalho fornecida pelo Ministério do Trabalho, não conseguem trabalhar de carteira assinada, pois as emissoras estão cheias de ‘invasores’.

Aqui em Fortaleza existe rádio FM educativa, mas educação não existe. O procedimento é o mesmo e além do radialista pagar horário tem que gratificar o sonoplasta. Esse fato nos remete a um pensamento de dupla despesa para profissional do rádio que além de fazer o papel de marqueteiro para sobreviver, ainda tem que pagar percentagem da publicidade contratada. Aqui em nosso estado, mais precisamente em nosso Capital duas emissoras fizeram a transferência da concessão e não se sabe se houve legalidade na transação ou não.

A primeira tinha a razão social de Rádio Uirapuru que mudou para Rádio Record. Hoje a própria Rede Record antevendo alguma irregularidade, voltou atrás e a rádio voltou ao nome antigo, Uirapuru. Já a Rádio Dragão do Mar passou para as mãos de uma facção da Igreja Católica e mudou o nome para rádio Shalom. Também a atual administração, segundo depoimentos de antigos funcionários demitiu parte do pessoal sem cumprir as obrigações trabalhistas.

Diante desse panorama, fica-se sem se entender o que fazem os órgãos governamentais responsáveis pela fiscalização e qual é o papel dos sindicatos dos profissionais que não se mobilizam em defesa dos trabalhadores em radiodifusão. Nesse caos que se aprofunda, perdem os bons empresários, os profissionais qualificados e competentes, os anunciantes e os ouvintes.

Em quanto isso, para não perder a prática e para não ficarem fora da radiodifusão muitos radialistas estão prestando serviços gratuitamente em rádios comunitárias.
A situação da radiodifusão no Brasil merece um estudo sério, pois sendo o microfone um poderoso instrumento, em mãos de inescrupulosos se torna um perigo para as pessoas de boa fé e para a sociedade.  É fundamental que exista a indispensável fiscalização. Fora disso, continuará grassando a lei da impunidade que alimenta as licenças de funcionamento vencidas, as causas trabalhistas desrespeitadas, os programas abaixo da crítica, a pornografia, a pornofonia, e o primordial: a falta de respeito para o ouvinte de rádio.

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