A Velha Esmoleira e o Morador de Rua

Publicado em: 26/05/2013

No meio do caminho havia um supermercado. Havia um supermercado no caminho. Daí que entrei para comprar umas coisinhas já que a moça da repartição me lançou a clássica pergunta:

– A senhora tem alguma “volta” pra fazer no centro?, conhecida metáfora para “Senta que vai demorar!”.

Na porta do supermercado uma senhorinha, velha conhecida dos que caminham pela cidade, olhar desolado, voz baixa, mão estendida, trajes e postura própria dos mendigos, pedia um adjutório. Eu não tinha trocado, daria a esmola após pagar minha compra.

Na saída, dei com uma pequena concentração de carrinhos e pessoas na porta do estabelecimento, não a vi. Avistei um jovem de cabeça raspada, roupas sujas e pé descalço, escarafunchando uma lixeira. Pensei em oferecer o dinheiro para ele, já que a senhora sumira. Ao me aproximar, percebi que ela, franzina, conversava com o moço, encoberta pela aglomeração. Esperando o fim do diálogo a um passo de distância, vi que entregou um pacote ao jovem e voltou ao seu posto.

Ela também me viu. Então disse:

– É comida. Eu ganhei um prato feito de uma mulher que saiu daquele restaurante, apontou. Eu já enchi minha barriga, apontou para si mesma. Sobrou comida, eu dei pra ele. A gente tem que dividir o que tem, né?

Eu disse:

– É!

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