A vida imita a arte

Publicado em: 04/08/2013

Jules Verne, H. G. Wells e Mary Shelley são ícones da ficção científica.

No Século XIX eles já falavam de experiências genéticas, viagens interplanetárias… Maravilhavam uns e tiravam o sono de outros!

Na década de 1950, marcianos já nos expulsavam de seu planeta, dizendo que não queriam que fizéssemos, lá, o que fazíamos aqui!A Sétima Arte trouxe uma nova dimensão a esse gênero, explorando temas como: efeitos de radiação nuclear ou de contaminações biológicas, inteligência artificial…

“Quinteto” (Quintet, EUA, 1979) projetava uma nova era glacial, provocada pelo ser humano.

“No Mundo de 2020” (Green Soylent, EUA, 1973) a sociedade desguarnecia idosos, como forma de controle demográfico e de despesas. A eles era oferecido um suicídio “light”, onde, em meio a videoclipes, recebiam uma injeção letal. Depois, sem o conhecimento público, seus corpos eram transformados numa pasta verde que servia de alimento para uma superpopulação faminta.

“A Última Esperança da Terra” (The Omega Man, EUA, 1971) abordava mutações genéticas provocadas por contaminação biológica.

“O Planeta dos Macacos” (The Planet of the Apes, EUA, 1968) fazia seres humanos atuais se confrontarem, no futuro, com o resultado de guerras e devastações inconsequentes.

O passar do tempo mostrou que esses filmes eram premonitórios!

Porque não “mexeram” com a opinião pública de então?

Ao que consta, eles não passaram de mero entretenimento, obras de arte no sentido platônico: desvios inócuos e alienantes da realidade. Tiraram o sono de alguns, nada mais que isso.

Pois é… Hoje não são mais livros e filmes sobre o futuro que nos deixam insones: a realidade já supera o imaginário!

A arte tentou sensibilizar contra a guerra, contra a fome, contra a tirania, em prol da salvação da natureza. Ainda tenta! Mas, desvinculada dos interesses das classes dominantes a arte raramente teve o poder de mobilizar a sociedade, para o bem ou para o mal. Que o digam Hitler, Stálin, Mussolini, Roosevelt, Truman…

Muitos dos que contrariaram os interesses dos poderosos, sofreram as consequências dessa militância: silenciados, mortos, enlouquecidos. Em contrapartida, outros hoje lucram vendendo sua arte aos que antes criticavam, distraindo em vez de revelar.

Produzem obras para alienar, emburrecer, embrutecer…

Com isso, a humanidade está perdendo a capacidade de imaginar o futuro. O presente materialista, imediatista, alucinado e sensorial está tolhendo a sensibilidade e o discernimento das pessoas, como os livros e filmes de ficção científica do passado anteviram.

O futuro deles é o nosso presente!

Nesse sentido, pelo que recordo das várias obras que me tiraram o sono, precisamos urgentemente que a vida pare de imitar a arte e passe a aprender como ela, em nome de um futuro para nossos filhos e seus descendentes!

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