A Voz de Bagé e as cornetas acústicas

Publicado em: 27/08/2010

Em 1934, Vicente Gallo Sobrinho criou a “Voz de Bagé”, a primeira voz no poste da região. Havia uma central (no início funcionava na Rua 7 de Setembro ao lado do Cinema Avenida) e alto falantes, instalados em pontos estratégicos da cidade, como nas esquinas da 7 com 3 de Fevereiro (atual Salgado Filho) e com a General Sampaio. A Voz de Bagé foi um dos primeiro serviços de alto-falantes do Estado. Possuía piano em seu auditório, de onde era transmitida uma programação variada. Os anúncios de cinema, teatro e outros espetáculos eram feitos através de cartazes ou nos postes, com “cornetas acústicas”.

Otávio Hipólito apresentava diariamente um noticiário da II Guerra Mundial (1941-1945). Lauro Lima, às segundas-feiras, era o apresentador do noticiário esportivo – numa época de grande rivalidade entre Bagé e Guarany – e muita gente postava-se na rua para acompanhar o dia-a-dia do futebol bageense. No estúdio, era comum a apresentação das alunas do Instituto Musical de Belas Artes.

A Voz do Povo e as expressões artísticas bageenses.

O antigo fotógrafo Juan Carlos Champanini conseguiu autorização para colocar no ar a “Voz do Povo”, em horários alternados aos das emissões da “Voz de Bagé”, colocados em postes em frente ao Mercado Público.

Juan Carlos Champanini, na década de 40, depois de introduzir a “Voz do Povo”, introduziu a “Carmencita”, como veículo de divulgação de anúncios e revolucionou o sistema de comunicação em Bagé. O “castelhano engenhoso” adquiriu um carro, tipo limousine, modelo 1930 e colocou quatro alto-falantes. Externamente pintou propaganda de diferentes firmas e produtos e percorria a cidade e seus arrabaldes, divulgando seus anúncios. Realizava este serviço durante horas em que seus aparelhos do poste ficavam fora do ar.

A “Carmencita” cheia de complicados amplificadores era uma estação ambulante de alto-falantes.

Juan Carlos Champanini era o Diretor Comercial do Serviço de Alto-falante. O auditório da Voz do Povo era de propriedade de João Carlos Medina. Todos os domingos, das 18h30min às 19h30min havia os concursos de expressões artísticas bageenses.

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