A Voz do Brasil no rádio

Publicado em: 05/04/2008

As emissoras de rádio do Brasil enfrentam nos últimos anos grandes dificuldades para transmitir jogos de futebol. Acontece que o mundo globalizado levou as entidades por contratos estabelecidos com as redes de tevê a programar jogos para o horário em que se transmite a Voz do Brasil, o noticioso que há décadas é veiculado nas emissoras de rádio.
Por Edemar Annuseck

História
O mais tradicional noticiário de rádio do país, a Voz do Brasil tem por objetivo levar informação jornalística diária, sobretudo do Poder Executivo, aos mais distantes pontos do país. Sua primeira edição foi apresentada pelo locutor carioca Luiz Jatobá. Naquele período, chamava-se Programa Nacional. De 1934 a 1962, era levado ao ar com o nome de Hora do Brasil.
A transmissão obrigatória do programa por todas as emissoras de rádio do país, em rede nacional, iniciou-se após 1938. Nos primeiros 25 anos, apenas os atos do Poder Executivo eram divulgados. Este perfil editorial mudou em 1962, quando o Congresso Nacional passou a integrar o noticiário. A partir daquele ano, o Senado e a Câmara dividiram a segunda meia hora do programa. Também em 1962 ocorre a mudança de nome, com o programa passando a chamar Voz do Brasil.
Dissertando
O brasileiro se acostumou a acompanhar o noticiário da Voz do Brasil desde o primeiro dia que foi ao ar (22 de Julho de 1935), mas a partir da expansão dos canais de televisão a situação mudou. Lembro da minha infância quando a gente passava pelas ruas do bairro e ouvia os rádios das residências sintonizados no programa. Atualmente a Voz do Brasil está sendo pouco ouvida. Tanto que o Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que controla a TV Brasil, vai discutir na próxima reunião, marcada para 13 de maio, modificações. Hoje o programa é de veiculação obrigatória nas emissoras de rádio, das 19h às 20h. Uma proposta de alteração foi feita em recente reunião pelo advogado e conselheiro José Paulo Cavalcanti Filho. Foi dada por ele uma sugestão sobre o destino e não a extinção do programa. Cavalcanti classificou o programa, criado em 1932, como “resto do entulho autoritário” e disse que, se já representou um mecanismo para integração do País por meio do noticiário, hoje a “Voz do Brasil” não tem mais motivos para ter a transmissão diária obrigatória e com horário determinado. E foi além em suas declarações. “Os critérios que determinavam à obrigatoriedade envelheceram. É difícil acreditar que seja o único instrumento para o cidadão se informar sobre o Judiciário, o Legislativo e o Executivo. Penso que o conselho devia começar a discutir alteração na legislação, não sei ainda em que sentido. Como ouvinte, me sinto constrangido e gostaria de não ser obrigado a ouvir o programa das sete às oito da noite”.
Problemas
Nos dias atuais nem todas as rádios transmitem o programa em seu horário das 19 horas. Muitas emissoras baseados em liminares, não veiculam o programa em seu horário normal em dia de transmissões esportivas. Mas, nem toda rádio se pode dar a esse luxo A grande verdade é que a tevê não transmite a Voz do Brasil e ainda prejudica o rádio nos jogos de futebol. Está mais do que na hora que os critérios sejam iguais para todos. Que todas as emissoras de rádio tenham o direito de transmitir em igualdade de condições o futebol como o faz a tevê. Quanto ao destino do programa, acho que já deu o que tinha que dar. Os tempos são outros e agora com a internet é muito fácil o acesso às notícias que antes só eram veiculadas pelas rádios. Que a reunião do dia 13 de Maio, data que em 1888 se assinou a Lei Áurea acabando com a escravatura no Brasil seja lembrada a partir deste ano como a data que pôs fim também aos problemas que a Voz do Brasil traz para o rádio.
Até a próxima.
Visite: www.edemarannuseck.blogspot.com


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1 responder
  1. Alberto says:

    Acho que existe uma maneira melhor de se resolver o problema da Voz do Brasil em cadeia nacional e transformá-lo em oportunidades e empregos. Não sou a favor de se acabar com a transmissão, mas sim em desobrigar as emissoras da transmissão e, sim, sou a favor de se criar novas frequencias, em AM, FM, OC, e regionalizando. A Voz do Brasil teria assim as suas próprias frequencias como uma rádio comum, 24 horas por dia. O cidadão que quizer ouvir é só sintonizar e pronto. Quem não quizer ouvir que sntonize na sua rádio predileta. Acho que coisas muito importantes aconteceriam em consequência: Novas oportunidades de negócios e criação de novos empregos tanto na rede de rádio privada quanto na rede do Governo.

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