Afinal, que rádio é esse?

Publicado em: 18/11/2007

O leitor Wagner Baggio* levanta uma questão que muito nos inquieta e que acreditamos seja também do interesse do caro leitor: o rádio “transformou-se em território de amadores que têm acesso ao microfone em troca de qualquer carteira com meia dúzia de anunciantes”.
Da Redação

Talento, criatividade, interpretação, capacidade de se expressar, conhecimentos gerais, cultura, personalidade, profissionalismo e responsabilidade social, dão lugar ao dinheiro que domina e escraviza a sociedade como um todo. Esta é a triste realidade em uma grande parte do mundo do rádio atual.
O tema tem sido tratado por este e outros ângulos sistematicamente nos quatro anos do site e é um dos itens que determinaram a criação do Instituto Caros Ouvintes. Mas, isto como se vê, é muito pouco. E o que é mais grave, justo num estado como Santa Catarina onde a cultura e os bons costumes mais prestigiam o rádio como meio de comunicação social.
Trazemos este assunto à sua consideração caro leitor na esperança de que juntando a sua à nossa voz sejamos ouvidos pelos concessionários dos canais de rádio e pelos profissionais que lá trabalham. Porque uns como os outros se servem de um bem público que pertence ao cidadão. E estes, radialistas e radiodifusores, por ignorância, ambição descabida ou desídia colocam acima do interesse público suas vaidades e interesses de ordem econômico-financeira, ressalvadas as conhecidas exceções.
 
Outro aspecto relevante levantado pelo Wagner é o da irresponsabilidade com que o meio está sendo usado quando diz “Pessoas e instituições são atacadas sem qualquer pudor ou direito de defesa, um abuso”. E conclui: “Repito. Exceções existem, mas também há muita gente com acesso a microfones emitindo opiniões sobre tudo e sobre todos”.
De todas as misérias que atacam esse bem de consumo obrigatório como canal de comunicação, cultura e lazer, o rádio padece de um mal maior – que não é seu exclusivo – mas nem por isso deixa de ser deletério e ignominioso: a irresponsabilidade dos órgãos de fiscalização. E aí são todos:  municipais, estaduais e federais. Aqui está a raiz do mal que nos ataca a razão, o coração e o espírito.
A quem recorrer? À sociedade, pois é o que nos resta!
Sim, recorrer à sociedade através de seus mecanismos básicos e institucionais: família, associações profissionais, comunitárias, políticas e sociais. E aos órgãos públicos, por que não, se os pagamos e bem para responderem pelos desvios de conduta das pessoas e organizações que assumem responsabilidades públicas de prestação de todo e qualquer tipo de serviço, mas não os cumprem com o devido zelo e decência necessários?
Onde estão os órgãos e instituições de normatização e fiscalização ligados à prestação de serviços de comunicação no país? Onde estão o ministério público e os serviços de defesa do consumidor? Onde estão as câmaras municipais, as assembléias legislativas e a câmara dos deputados? Em que mundo, em que planeta se escondem esses senhores e senhoras que sob o manto de seus cargos recebem o dinheiro gerado pelo suor de trabalhadores abandonados à sua própria sorte?
Sem dúvida, caro leitor, é deprimente. Entretanto, mesmo constrangidos pelo desconforto da falta de respeito mínimo para com os nossos direitos de cidadãos, devemos sair da complacência e deixar o bomocismo de lado com ações efetivas de repúdio a quem nos ofende tão descaradamente.
*Wagner Baggio é jornalista profissional e reside em Joinville onde atua em jornal impresso.
 


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