Afinal, quem é o pai da criança…?

Publicado em: 27/10/2013
Ilustração

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A vida de cronista – e que escreve diariamente para o rádio, jornal, internet – tem destas coisas: vai-se ao arquivo mental, depois que o tempo passa, e encontra-se com ditos e frases esparsos, sem anotações à margem, o que nos faz crer não ser fruto da gente. E nem seria possível! Só prá gênios!

E é natural que isso aconteça. Numa mesa de café, colhe-se uma idéia, uma frase, um rápido comentário sobre o assunto do dia. O cronista vai para o computador. Tem a “feliz idéia” de escrever sobre determinada coisa. Escreve. Cita. Arquiva. Depois, pensa que tudo é dele e reúne num livro como este.

Esquece-se de colocar aspas em determinados lugares. Em outros, a revisão deixa passar. Vira uma bagunça.

E fica com medo. Em qualquer esquina alguém pode dizer: “Você agora é eu…?”.

E daí…?

Quem saberá dizer quem é o pai da criança? Quem souber, por favor, me diga.

(Do livro Folhas soltas para a série Crônicas sem vergonha)

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