Ah! Que saudades que tenho…

Publicado em: 21/03/2006

Menininho ainda, com seus complexos e fantasias, ensaiava locução lá nos idos de meus oito ou dez anos (sei lá…), usando um coador de chá em alumínio à guisa de microfone. Lia artigos de “Seleções”, da coleção do “velho” Telésforo, meu pai, imitando não sei quem.
Por Aderbal Machado

Talvez Agilmar, talvez Aryovaldo, talvez Attahualpa. Mais tarde, meus sonhos se cercavam da voz de Clésio Búrigo, guri iniciante no rádio esportivo (Rádio Eldorado de Criciúma), já conhecido e já cheio de estrelismos, que Deus o tenha.

Outras vozes povoaram aqueles tempos: Antônio Luiz (pelas mãos de quem iniciei profissionalmente no rádio e na televisão Eldorado), Sérgio Luciano (Joci Pereira, seu nome verdadeiro), de quem fui amigo, Kátia Broleis (Adelaide Delci Broleis), locutora de voz maviosa e olhos brilhantes, andar altivo e soberano.
Ah, se me fosse concedida a graça de ser locutor, pensava eu… O tempo passou, passou, passou.
Em 1961, chegando a Criciúma pela vontade de Aryovaldo, andei fuçando minha inexperiência na prefeitura do tempo do Neri Rosa, tempo em que acabei realizando o sonho. Em 1962 entrei na Rádio Difusora (“A Emissora do Trabalhador”), pertencente a João Goulart e Doutel de Andrade. Ao PTB d’antanho, na verdade. Aquele PTB bom, com tutano. Meu professor, Aryovaldo Huáscar Machado.
Ali convivi com Paulo de Lima, um dos repórteres mais “invocados” que conheci.
Depois passei pelo épico “Jornal de Criciúma” e, finalmente, anos após, em 1967, assinei meu primeiro contrato profissional com a Rádio Eldorado e, já em 1979, ingressei na TV Eldorado, mais tarde indo para a TV Cultura de Floripa, onde fiquei na RCE (Rede de Comunicações Eldorado) até 1992.
Sei lá, dizem que o destino às vezes é maroto, às vezes é engraçado. O sonho do gurizote é realidade até agora, com alegrias, conquistas, frustrações, decepções – não necessariamente nesta ordem e nem com este equilíbrio.
Estou até hoje – e vejo muita gente boníssima de até antes de mim vivendo e morrendo no rádio e na imprensa (João Sônego foi o exemplar mais recentemente desaparecido, Clésio Búrigo o outro). Ainda estão aí, felizmente, Kátia Broleis e Antônio Luiz, meus ídolos lá dos meus tempos de gurizote.
Ah, saudades, muitas saudades. Tempo bom…
Sites relacionados
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1 responder
  1. Aimberê Araken Machado says:

    Na verdade, o Aderbal me sucedeu como “secretário informal” do Aryovaldo, nos tempos heróicos do “JORNAL DE CRICIÚMA”. Que pauleira danada ! O dono do jornal era o prefeito NERY JESUÍNO DA ROSA. Todas as semanas, havia violentos ataques a certos mineradores que não cumpriam os mais elementares preceitos da legislação trabalhista. O redator-chefe era o Aryovaldo, cujos artigos – brilhantes, sem falsa modéstia – inquietavam os maus patrões. O ambiente era de luta, vibrante, e também perigoso. Todo mundo andava de trabuco à cinta, e não eram incomuns as tentativas de intimidação. E o mais interessante é que quase não se trabalhava por dinheiro, e sim por puro idealismo. Bela época, aquela. A política de hoje, infelizmente, está cheia de gente medíocre ( afora os ladrões ). Lamentável.

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