Alexandre Fetter e o Pretinho Básico

Publicado em: 10/05/2008

Entre as transferências de profissionais verificadas desde 2007, apenas uma teve real efeito em termos de audiência no rádio do Rio Grande do Sul. Como registrou o jornalista Célio Romais em mensagem de correio eletrônico enviada a esta coluna, somente Alexandre Fetter, ao sair da Pop Rock para a Atlântida, conseguiu levar consigo uma quantidade significativa de ouvintes de forma a alterar o posicionamento das emissoras nos levantamentos do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística. Por Luiz Artur Ferraretto

De fato, o retorno de Fetter à principal estação musical jovem do Grupo RBS, após dez anos de trabalho na rádio ligada à Universidade Luterana do Brasil, teve um forte efeito em termos de audiência, não só em FM como em AM.
Ao criar o programa Pretinho Básico, atração que completou, em abril, um ano, Fetter levou da Pop Rock os comunicadores Cagê e Maurício Amaral, seus colegas do Cafezinho, então líder de audiência na faixa das 13 às 14h. A acirrada disputa entre as duas emissoras, tendo como catalisador o poder de mídia do Grupo RBS ao divulgar as suas novas contratações, pode ter induzido ainda a migração de ouvintes jovens de atrações como o Sala de Redação, da Gaúcha AM, e o Apito Final, da Band AM.
Confirmada ou não esta hipótese, o certo é que o Pretinho Básico dá seqüência a uma espécie de novo humor radiofônico, calcado em piadas e tiradas adolescentes, puro besteirol, mas com fortes efeitos sobre o público. Nesta linha, a primeira grande experiência, ainda, nos anos 1990, foi o Programa X, justamente com Alexandre Fetter no comando, inspirado então no sucesso de atrações como o Pânico, em sua versão da Jovem Pan FM, de São Paulo. Já trabalhando na rádio da Ulbra há mais de um ano, em 1998, Fetter, Mauro Borba e outros comunicadores da Pop Rock levariam para o microfone da emissora as conversas típicas do horário de almoço no campus da universidade. O bate-papo deles no almoço do restaurante do Prédio 6 da Ulbra transferia-se, assim, para o estúdio da rádio. E de lá para a casa e o automóvel de milhares de ouvintes. O Cafezinho teve sucesso imediato. A estação dos 107.1 MHz, antes pouco conhecida, já se alçava com uma programação ao estilo da Rock & Pop, de Buenos Aires. Com o Cafezinho, passaria a ameaçar a todo-poderosa Atlântida FM, do Grupo RBS, e, mais do que isto, estaria à frente desta, várias vezes, em uma disputa acirrada ao longo dos últimos anos. Com este histórico todo, a ida de Fetter para a Atlântida transfere, em março de 2007, a dor de cabeça e a preocupação dos executivos da RBS para os gestores da Ulbra.
Com a disputa, no entanto, quem saiu ganhando foi o ouvinte deste segmento, com respingos também no rádio dedicado ao formato Adulto Contemporâneo, por onde Fetter andou reformulando a Itapema FM, de Porto Alegre. Ganharam, aliás, os que se mantiveram fiéis à Pop Rock, emissora de Mauro Borba, Arthur de Faria e Carlos Couto.
Ali, profissionais como Luciano Barth Lopes e Paulo Inchauspe ampliaram seus espaços, a eles se agregando recém-chegados como Bivis, o maior, no bom sentido, palhação do rádio gaúcho na atualidade, e o seu, por vezes, fiel escudeiro Oliver. Fora estes, a Pop Rock abriga profissionais experientes como Eron Dal Molin, Marcio Paz e Tadeu Malta. Este último, recentemente, contratado para coordenar a programação da emissora e fazer frente à Atlântida. Provas de que, no segmento jovem, a transferência de Fetter ainda gera repercussões mesmo um ano depois de ter se efetivado. Sem dúvida, dá para afirmar que ele é, hoje, o mais popular comunicador jovem do estado. Para o ouvinte do Pretinho Básico, Fetter está, ainda, bem acompanhado ao lado de Cagê, L. Potter, Maurício Amaral, Piangers e Porä.
 


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1 responder
  1. Robson Fritzen says:

    Realmente a saída do Fetter da Pop Rock causou grande impacto nessa emissora. Sempre gostei da programação dessa rádio, mas infelismente eles resolveram fazer algumas mudanças no final de 2010 que não me agradaram nem um pouco como ouvinte. Começaram a tocar músicas de artistas que eu nunca ouvi falar e também partiram mais para o lado rock. A desculpa para essas mudanças foi a falta de audiência na grande Porto Alegre. É uma pena, pois a aceitação da programação da emissora foi sempre muito boa no interior do estado, como é o caso da Pop Rock Santo Ângelo. Aliás, acredito que foram as mudanças feitas na programação da emissora que levaram a Rádio Novos Horizontes (Sto. Ângelo) a se desfiliar da Pop Rock em 2009, passando a se chamar apenas Novos Horizontes FM.

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