Amor Além da Vida

Publicado em: 26/05/2013

Todo cinéfilo que se preza tem seus filmes favoritos. Isso não quer dizer que eles sejam uma unanimidade de público e crítica. Afinal, gosto não se discute!

Qual o motivo dessa preferência?  A resposta poderia ser um simples: “Porque sim!”. Mas, sempre há no mínimo uma boa razão para isso: o “dedo” do diretor, o carisma de um ator, um roteiro bem feito, uma cenografia que beira à perfeição, enfim, tudo aquilo que prova que um filme não precisa ser uma superprodução caríssima para cair no gosto do grande público ou dos “experts”, e virar um “blockbuster” ou “cult”.

Mas, como se manifesta essa preferência? Fácil: pela lembrança constante e vontade de vê-lo várias vezes, sem temor de enfado!
É o caso, para mim, do filme “Amor além da vida” (When Dreams May Come, EUA, 1998). A diferença é que eu só o havia visto uma vez, no cinema; mas isso não me impediu de ficar profundamente envolvido pelo roteiro e pela beleza das imagens.

A presença de Robin Willians, ator conhecido pelo que se convenciona chamar de superinterpretação – exageros verbais e gestuais -, colocava em dúvida o potencial romântico e dramático do filme. Annabella Sciorra também não tinha o apelo de uma “superstar” bonita e sensual.

Havia, no entanto, Cuba Gooding Jr., um ator fantástico em qualquer estilo, e Max von Sidow, uma legenda do cinema sueco, que consegue dar realce e credibilidade a todos os seus personagens.

O resultado, em minha opinião, foi de uma felicidade notável, embora alguns o considerem tedioso. Mais uma vez: gosto não se discute!
A humanidade que os atores emprestam aos personagens se encaixa perfeitamente nos cenários impressionistas e impressionantes do filme. As paisagens – quadros convertidos em realidade – são de uma beleza improvável e indescritível! A biblioteca medieval é transcendental! O inferno de navios é de uma força arrebatadora!

É como se Rembrandt, Renoir e Dante Alighieri tivessem emprestado sua visão de paraíso e inferno à direção de arte do filme.
No entanto, não é apenas nos cenários que o filme se baseia: as situações, os diálogos e as interpretações são de uma riqueza humana que, apesar de momentos de extrema dramaticidade, nunca é piegas. As mensagens otimistas também soam naturais.

Fala-se do amor de almas gêmeas, de pais e filhos, de mestres e aprendizes, e de sentimentos puros, capazes de ultrapassar barreiras dadas como intransponíveis. Mostra-se que as aparências e preconceitos não existem para os que enxergam com a alma. Diz-se que o amor e o perdão são sentimentos tão poderosos, que podem ser infinitos e transformadores, no tempo e no espaço.

Existem ao menos três momentos em que reminiscências se unem a situações para gerar conclusões de irresistível poesia.
É um filme que mescla tristeza e alegria, e agonia e êxtase com equilíbrio e maestria raramente encontrados no cinema atual. “Pesa” quando é preciso, mas nos deixa leves, no final. Merece ser visto mais de uma vez!

Adilson Luiz Gonçalves
Membro da Academia Santista de Letras
Mestre em Educação
Escritor, Engenheiro, Professor Universitário e Compositor
Ouça textos do autor em: www.carosouvintes.org.br (Rádio Ativa / Comportamento)
Caso queira receber gratuitamente os livros digitais: Sobre Almas e Pilhas, Dest’Arte e Claras Visões, basta solicitar pelos e-mails: [email protected] e [email protected]
Conheça as músicas do autor em: br.youtube.com/adilson59
(13) 97723538
Santos – SP

0 respostas

Deixe uma resposta

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *