Apertos, travessuras e alegrias do cronista – Parte 1

Publicado em: 11/02/2012

Café cabeludo com sabor de café nativo da Ilha… Bolinhos de fubá com gosto de bolinho de fubá com farinha de milho grossa, com gosto de bolinho de fubá…

Tributo ao chefe escoteiro Paulo Roberto Guimarães

Todo entusiasmado, cheio de idéias e de amor pra dar, disfarçando o medo de me perder no labirinto do teclado do computador,  olho com firmeza para a “plateia”, puxo a cadeira, sento, cutuco no botão de ligar do computador e nada.  Dou aquela tussidinha característica, me mexo na cadeira, miro a neta Maria Eduarda que está grudada na TV , capricho no tom de voz e falo: “querida traz uma aguinha aqui pro vô”. Aproveito para despistar fazendo um carinho na nossa pequena Schinauzer (cachorrinha linguiça) enquanto aguardo a chegada do “socorro”.  Maria Eduarda chega com a água, agradeço e  me volto para o teclado como quem não quer nada. A Eduarda que já pescou o estratagema, se aproxima do computador e sem falar nada, liga a máquina. “Estou salvo”, pensei. 

Ledo engano. As mil idéias que borbulhavam na minha cabeça ainda há pouco, sumiram. O jeito foi dar uma de vovô coruja e sentar com a netalhada na frente da TV e acompanhar uma sessão  dupla de Pantera Cor de Rosa e Tom & Jerry.

Acordei com a voz da patroa: “O carteiro está aí e quer tua assinatura num  documento do cartão de crédito…”. Enquanto me dirijo à porta ainda meio “tatibitate” recordo que tenho um monte de idéias para lançar no computador.

Assino o papel, pego o envelope com o cartão, dou tchau pro carteiro e volto ao computador e ao sentar, num repente,  “viajo” 50 anos atrás, quando não tinha filhos, netos ou mulher, mas tinha aqueles fedelhos: lobinhos, escoteiros, seniores e pioneiros…

A presença física do “velho de 21 anos” era visível… Eu revia cenas que há muito havia esquecido: Café “cabeludo” com bolinhos de fubá feitos em fogueirinha, na sede do Grupo na Bocaiúva… E aqueles pedaços de diálogo: “vai namorar, ô cara,  deixa essa fedelhada para trás…

Agora com filhos e filha acima de quarenta anos, fico espantado e até surpreso… Será isso mesmo?

O tempo passou e da velha Olivetti que eu dominava com maestria, agora aqui estou escravo desse aterrorizante PC, que eu nem sei o que significa… E as barracas de lona remendada? E as chaleiras de lata de azeite comestível, e as frigideiras feitas de latas de marmelada com cabo de vassoura?

E agora? Onde está o sabor da vida?

Banana madura com sabor de banana madura… Café cabeludo com sabor de café nativo da Ilha… Bolinhos de fubá com gosto de bolinho de fubá com farinha de milho grossa, com gosto de bolinho de fubá…

E que sabor terá esse miserável e aterrorizante computador?

Com-puta-dor… Será?

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