APROVEITE!

Publicado em: 08/01/2007

“Como pode, o peixe vivo,
viver fora, da água fria;
como pode o peixe vivo,
viver fora, da água fria;
como poderei viver,
como poderei viver,
sem a sua, sem a sua,
sem a sua companhia. (bis)
Por Elóy Simões

Os pastores desta aldeia,
já me fazem zombaria, (bis)
por me ver aqui sozinho (bis)
sem a sua, sem a sua,
sem a sua companhia”. (bis)
1. Lembro-me como se fosse hoje. Eu vivia em S. Paulo, trabalhando na Norton Publicidade, quando recebi a notícia: a Bandeirantes estava decidida a fechar a rádio da minha terra, que naquela época já tinha trocado de nome, de Rádio Urânio para Rádio Bandeirantes de Cachoeira Paulista. A cidade era pequena e pobre, a praça era fraca, a emissora só dava prejuízo.
Passei a mão no carro, fui ao Morumbi, onde fica a sede da Emissora paulista. Consegui ser recebido, fiz uma proposta: que me entregassem a direção da rádio por um tempo, e eu a recuperaria. Em troca, eles não a fechariam. Nesse meio tempo, treinaria alguém para o lugar. Não queria ganhar nada. Apenas fazer com que ela continuasse viva. A cidade precisava dela. 
Como sempre acontece quando tomo iniciativas como essa, chamaram-me de louco sonhador. Mas, embora ironizando a proposta, atenderam ao pedido.
Tirei férias, fui pra Cachoeira Paulista, virei a rádio no avesso,
equilibrei as finanças, voltei pra S.Paulo, passei a viajar pra lá todo fim
de semana. No segundo mês já dava lucro. Criei, entre outros,
um programa para a noite. Tinha um clima próprio para as pessoas que
gostavam de ouvir rádio àquela hora. Chamei o locutor, expliquei como
ele deveria ser tratado. Cheguei a treiná-lo.
Na noite da sexta-feira seguinte, indo de S. Paulo para minha cidade,
ainda na Via Dutra, sintonizei a rádio. Tomei um susto. O locutor
tratava o programa como outro qualquer. Uma tragédia.
Cheguei na cidade, fui direto à Emissora, botei o cara na rua. Por
burrice, falta de talento ou desídia mesmo, jogou fora a chance que o
destino lhe deu.
2. Como já escrevi aqui, adoro corujar rádio quando viajo – porque adoro esse meio e porque gosto de saber se alguma coisa nova está acontecendo por aí.
Confesso que tenho me decepcionado. É sempre o mesmo tipo de locução, o mesmo padrão de voz, a mesma forma mecânica de tratar o ouvinte, nenhuma preocupação de inovar.
3. Ouço isso e me pergunto: Deus deu a essa pessoa a fantástica oportunidade de trabalhar em um meio cujos recursos são ilimitados. Porque ela não aproveita?
É como a história do Peixe Vivo, contada nessa antiga música brasileira que reproduzi no início da nossa conversa. Está cheio de autor, produtor, animador, comunicador por aí, vivendo à custa do rádio, mas fora do ambiente dele, dessa maravilhosa água que eles maltratam.
Certamente por isso, muitos vivem à deriva. Vítimas da zombaria dos pastores da aldeia com a qual julgam se comunicar.
      
Vão acabar vivendo assim sozinhos.


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