As artes da liderança e a ilusão de chefiar e comandar

Publicado em: 26/11/2011

Tributo ao chefe escoteiro Paulo Roberto Guimarães

Vez por outra, ao longo de mais de meio século de vida tenho ouvido levianos  pronunciamentos de alguns emproados que se auto denominam líderes, chefes, diretores ou comandantes de alguma coisa. Ledo engano. O povo que tem cunhado frases antológicas costuma dizer: “Na vida, manda quem pode, obedece quem tem juízo” Pois assim é a Pirâmide do Poder: nada é privativo, tudo é partilhado, republicano.Nada é próprio e ou definitivo, tudo é transitório e dependente de escalões superiores. Um governo, por exemplo, é composto do Poder Executivo, do Poder Judiciário e do Poder Legislativo. Esse quadro se aplica aos municípios, aos estados e ao País.

No caso específico do Movimento Escoteiro, a Chefia é uma metáfora ou em muitos casos, uma posição simbólica, pois cada Grupo Escoteiro tem uma figura central eufemisticamente chamada de Chefe Geral de Grupo. Cada Tropa ou Seção, tem seu Chefe, identificados por nomes explícitos, como no caso dos Lobinhos, cujo chefe é o Akelá e seu imediato o Baloo…

Na verdade, porém, quem é importante na “cadeia de comando do Escotismo” são os meninos e jovens.

Ser Chefe é assumir as missões, redistribui-las e garantir o sucesso. E na família, como pode ser representada a figura da chefia? Os filhos são o Poder Legislativo, o Pai o Poder Executivo e a Mãe, a Sábia Mãe é o Poder Judiciário (Quando não é a Suprema Matriarca – verdadeira autoridade social).

A família forte, una e poderosa é produto de um consenso, onde todos são coparticipes.

Chefiar uma organização escoteira também é assim, e quando se vai envelhecendo, devemos começar a produzir substitutos para quando nos ausentarmos. Daí, a relevância e a certeza de que não somos donos de nada, não chefiamos nada, não comandamos nada. Nós somos, isto sim, agentes de um processo evolutivo na busca da conquista dos ideais comuns, como diz o lema escoteiro: O chefe deve ser o primeiro no sacrifício e o último no benefício.

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