As mulheres de Notre Dame

Publicado em: 10/07/2013

O mundo é cheio de obstáculos e às mulheres, desde sempre, cabe cota extra deles em suas rotinas diárias (nós homens temos tido a estranha qualidade de não facilitar para ela, mas esse é tema para outra hora).

O mundo necessita de pontes (muitas e imensas pontes) e as mulheres são eximias construtoras, a esmagadora maioria delas sem ter passado por escola de engenharia.

Obstáculo, por exemplo, é o mais adequado sinônimo para a vida. Só há vida, dessa vida que pulsa provando que estamos vivos, depois da superação dos obstáculos – pois que a pasmaceira é o nada.

Podemos não gostar, mas é assim e a sabedoria está em saber tirar proveito disso (ou seja, chorar o leite derramado leva ao nada). E entre as infindáveis formas para superar obstáculos, estão as pontes, tidas, inegavelmente, como das maiores invenções da humanidade.

Fica claro, aqui, que ponte não é só aquela obra de madeira ou ferro e cimento que liga uma margem à outra de um curso de água. Ponte é, principalmente, a obra que as pessoas iluminadas constroem e que vai da ignorância ao saber; da tristeza à alegria; do desânimo ao otimismo; do medo à coragem; da escuridão à luz; da dúvida à fé; da escravidão à liberdade; do egoísmo à solidariedade; da ausência do horizonte vital ao transcendente; do marasmo à arte; do ocaso ao amanhecer.

Ponte, como se depreende, é uma sutileza que o ser humano inventou (e a mulher aperfeiçoou) para passar por cima dos obstáculos e dar uma chance para que a vida possa pulsar com toda plenitude em cada um e em todos. É algo ao alcance de todos, mas cultuados por pouco!

Essas questões – obstáculos e pontes – brotaram em minha mente ao avaliar a obra das mulheres de Notre Dame. Fiquei imaginando, incialmente, o que teria sido de Passo Fundo e de localidades de mais 18 países, se Marie-Rose-Julie Billiart (entre nós Júlia Billiart), camponesa nascida em 1751 na localidade de Cuvilly, Norte da França, tivesse medo de obstáculos e inapetência para construir pontes.

Mais: o que a razão mandaria esperar dessa pequena agricultora se fosse mulher perseguida e acuada por tempos tenebrosos (como os que vieram depois da Revolução Francesa) e, ainda, paralitica? Alguém esperaria que dedicasse a sua vida para melhorar a vida dos outros – a grande maioria sem conhecer? Quem responde?

Pois Júlia Billiart não apenas contrariou o estabelecido como inspirou e continua inspirando milhares de jovens mulheres a não se curvarem diante dos obstáculos. Essa camponesa que parece ter arrancado da terra toda sua força ainda inspira jovens mulheres a encontrar toda sua força interior para fazer com que a vida pulse com vigor no peito de crescente numero de pessoas, inclusive de brasileiros (e passo-fundenses)

Pois, bem, para entender um pouco da obra das mulheres de Notre Dame, ou seja, da Congregação das Irmãs de Nossa Senhora, talvez seja oportuno deixar de lado isso que chamamos de razão e procurar outas formas para o entendimento. Sem a menor dúvida há algo maior movendo as aparentemente frágeis irmãs, mas que se revelam gigantes quando avaliamos a obra delas; e aqui nossa filosofia vã não abrange o todo com facilidade.

Mas o que fizeram e fazem essas mulheres de Notre Dame no mundo e em 90 anos de Brasil é tão belo, vigoroso, fascinante, inspirador, duradouro que só pode emergir de aspectos peculiares e únicos da essência da alma feminina; é algo que não teme obstáculos e sabe fazer a ponte certa na hora certa. É algo que nós brasileiros deveríamos avaliar (em busca de inspiração) neste momento em que a encruzilhada se aproxima e nos assusta.

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