As palavras convencem, os exemplos arrastam

Publicado em: 04/04/2012

As sentenças colhidas nas estradas da vida são cheias de sabedoria e jamais as esquecemos. Pais e professores faziam questão de cultivá-las como lições de vida. Entre centenas delas cito “mais vale um gosto do que um vintém” e “as palavras convencem, os exemplos arrastam”. A primeira é supimpa, porém, desconfio agora, pode estar na raiz da nossa cultura de poupar pouco (a geração de hoje quer o aqui e o agora), já a segunda só gera perplexidade. Que exemplo positivo pode esperar o brasileiro comum se hoje em dia nem a palavra dada tem valor?

Todos os dias somos inundados com posturas deprimentes de quem deveria ser exemplo aos jovens. Há carência assustadora de posturas morais, procedimentos éticos, gestos altivos. Não se trata de episódios aqui ou acolá, vivemos uma epidemia, uma cultura de imoralidade sem precedentes em nossa história.

Quem o pai dedicado citaria de exemplo para um filho se espelhar? Seria injusto dizer que hoje o Brasil lembra a Grécia de Diógenes que, de dia, perambulava pelas ruas com uma lamparina à procura de um homem honesto?

Quando criança meu pai, homem curtido na roça, tinha admiração especial pelos juízes. Para ele o juiz de direito estava próximo da santidade. Constatei que os juízes são humanos durante a ditadura militar e, de uns tempos cara, que o barro com que alguns são feitos é de péssima qualidade; o que não é privilégio deles (em geral o que chamamos de elite nacional, independente de viés ideológico, profissão, escolaridade, tamanho da grana não passaria no controle de qualidade de uma boa olaria).

Deixemos o Lula de fora, cego, não conseguiu enxergar os malfeitos que assolou seus governos. Podemos citar o oponente? Em 2004, ao disputar a Prefeitura de São Paulo, José Serra, do PSDB, assinou documento se comprometendo a exercer o mandato sem renunciar para se candidatar a outro cargo. Além de não honrar a palavra empenhada agora desdenha a cobrança que fazem dizendo que “apenas assinou um papelzinho”. Não é o Serra que fica menor com tal atitude, a politica e os políticos perdem estatura com tal empáfia.

Podemos citar José Sarney do PMDB, presidente do Senado Federal, organismo emblemático das democracias? Pelo conjunto da obra não há na história da republica exemplo mais deprimente de tudo o que não é republicano reunido nesse senhor que cresceu na ditadura e se fortaleceu à sombra dos governos democráticos.

O que dizer do governador Tarso Genro do PT no caso do piso dos professores? Como é triste, especialmente para nós gaúchos, ver um ex-ministro da justiça fazendo exatamente o contrário do que disse e afrontar a cultura da “do fio do bigode” tão cara para o Rio Grande do Sul.

O que dizer do Mano Menezes dirigindo embriagado e se negando a fazer o teste do bafômetro? Fico imaginando estrago no imaginário das crianças e jovens que olham embevecidos para a camisa amarela da seleção brasileira, para os jogadores e para seu treinador… Até dai saem maus exemplos?

Que lista: tido como um dos maiores defensores da ética, da lisura na politica o senador goiano Demóstenes Torres, dos Democratas, descobre-se agora, está atolado até o pescoço na meleca do submundo que tomou de assalto parte do Congresso Nacional. Como chegamos nesse estágio? Adianta chorar, espernear contra a impunidade? No fundo, creio que todos e cada um de nós têm culpa no cartório, afinal o Brasil é nosso!

Ivaldino Tasca, jornalista | [email protected]

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