As pioneiras: Rádio Difusora São Francisco 2

Publicado em: 18/05/2005

Com as águas de março, dia 23, um domingo nublado do ano da graça de 1947, entra no ar, com licença e prefixo regulamentares a ZYU-5, Rádio Difusora São Francisco Ltda. A terceira cidade mais antiga do Brasil, entra nas ondas do rádio pelas mãos de Homero Camargo de Oliveira e Francisco Mascarenhas.
Por Antunes Severo

Neste pequeno relato, como se verá, criadores e criatura conservam um perfil muito semelhante. Homero, experiente e insinuante senhor vindo do Paraná, conhecedor dos segredos da tecnologia e Chiquito – como já era conhecido -, um apaixonado pela cultura, as artes e as novidades, embora sendo um autodidata. Autodidata e ativo empreendedor. Comprara o jornal A Semana, trabalhava na Prefeitura aonde chegou a secretário de Administração, dedicou-se à política, foi um dos fundadores da UDN – União Democrática Nacional e elegeu-se vereador. A rádio vinha completar o seu currículo.

Emissora no ar, Francisco Mascarenhas assume o leme e põe-se a navegar. Homero segue o seu caminho, visita outras cidades e lá instala o germe que faz os sonhos se transformarem em realidade. Nos 58 anos que nos separam desses acontecimentos há uma rica história a ser contada. Por hoje, vamos ficar com o relato da implantação da emissora.

O filho Sandro Cordeiro de Mascarenhas, em entrevista concedida em março de 2003, relembra aqueles tempos de sua infância. Meu pai nasceu em São Francisco. Treze de maio de 1913. Nasceu no dia de Santa Eduvirges. Meu avô era agente dos correios e telégrafos. Meu avô morreu muito jovem, com 42 anos, deixando minha avó e os filhos em uma situação difícil. Meu pai, desde os cinco anos teve que ajudar a minha avó. Então ele vendia guloseimas, banana recheada na porta do cinema. Ele foi trabalhando, trabalhando, com dificuldade, estudando e foi indo.

Ainda jovem foi trabalhar num cartório em São Francisco, cartório do Livio Nóbrega. E ali ele começou a praticar nessa arte de cartório. Mais tarde ele foi trabalhar também num cartório de notas, na cidade de Rio Negro, no Paraná. E lá, inclusive, conheceu a minha mãe e casou. E daí voltou para São Francisco. Quando voltou foi trabalhar na Prefeitura. Ele tinha apenas o curso primário. Mas era um sujeito muito trabalhador, muito dedicado, inteligente, com muita vontade, então ele foi trabalhar na Prefeitura e chegou a ser secretário de Administração. Em contato com seu Jaime que era o Prefeito, ele começou a tomar gosto pela política. Foi um dos fundadores da UDN – União Democrática Nacional e começou a carreira política. Ele se candidatou a vereador e se elegeu.

– E como foi o início da Rádio? Eles tiveram um sucesso considerável, porque não havia outras rádios por ali… Pegavam propaganda de Joinville, Araquari, Jaraguá do Sul… A Rádio tinha uma boa penetração naquela região toda. E tiveram alguns programas de sucesso que foram tradicionais, um deles era o PV – Parabéns para Você.  Havia também os programas de auditório no domingo que traziam gente de fora, era muito movimentado o negócio. Lembro que esteve lá Vicente Celestino. Foi na época de lançamento do filme O Ébrio, foi um enorme sucesso. Apareceram lá grupos de teatro. Este lá Paulo Gracindo. De modo que essa rádio movimentava a cidade. E a coisa foi indo, se aprimorando e tal… A carreira política foi se solidificando até que quando chegou à década de 50 – coincidiu também com a campanha de Irineu Bornhausen para governo – meu pai foi lançado então candidato a deputado estadual e se saiu bem. Em 1950 assumiu a Assembléia e foi nessa época em que a família veio para cá.

Francisco Mascarenhas, em Florianópolis, foi o responsável pela montagem e direção da Rádio Diário da Manhã. Mas, está é outra parte da história.

A seguir, destacamos o registro feito por Ricardo Medeiros e Lúcia Helena Vieira sobre a implantação da Rádio Difusora São Francisco, conforme consta no livro História do Rádio em Santa Catarina.

No dia 23 de março de 1947, São Francisco do Sul entra na era das ondas hertzianas. A dupla Francisco Mascarenhas e Homero Camargo funda a Rádio Difusora São Francisco Ltda. A cidade começa a ter perto de si lazer, entretenimento e informação, feitos por gente da terra. Nesse grupo destacam-se Arno Enke, Álvaro Dipold, Eleonor Medeiros, Letícia Maya, Luís Carlos Amarante, o Ema, Nei Boto Guimarães, Heriberto de Oliveira e Zila Santos. Também figura na ZYU-5, freqüência de 1560 Khz, Renato Binder, considerado o primeiro locutor a cobrir notícias da sociedade. Como operadores integraram à equipe Francisco Renato Lemos, o Chiquinho Cavadeira, e Nésio Tavares.

De acordo com o radialista Daniel Silva, em depoimento de julho de 1999, no decênio de 50, a emissora perdeu Eleonor Medeiros, que se transferiu para Porto Alegre onde fez carreira na Rádio Gaúcha. Por 10 anos foi escolhida a melhor locutora do meio radiofônico riograndense.

Na década de 60, a emissora de São Francisco do Sul passa para o comando de Álvaro Dippold. No decênio de 70 consta que a empresa passou a denominar-se por um período Difusora Carijós, uma homenagem aos indígenas da região. Atualmente, após resgatar o antigo nome de forma mais reduzida, a emissora continua em funcionamento como Rádio São Francisco.

Fontes:

Entrevista concedida por Sandro Mascarenhas em 28/03/2003.
Medeiros, Vieira. História do Rádio em Santa Catarina. Florianópolis: Insular, 1999. Site relacionado: www.saofranciscodosul.com.br

Na próxima semana: Rádio Tubá de Tubarão.


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