As quatro variantes da vida em sociedade

Publicado em: 03/11/2012

Veja aí como você se enquadra ou se posiciona. O que está escrito aí nas linhas seguintes é a mais pura realidade. Em qualquer das situações em que estejamos andando nas correntes de cultura – e tome cultura por aquilo que fazemos e deixamos anotado como jeito de viver – temos quatro variantes básicas e algumas variantes secundárias numa das quais somos plasmados como entes políticos, sociais, econômicos, religiosos. Liderando ou seguindo nossos líderes, a variante que mais gente acomoda é a dos distraídos. É aquele grupo de pensa pouco, escuta muito, segue a onda sem se perguntar “aonde isso vai dar?” E por incrível que possa parecer, acabam sendo traidores e traídos, como se descreve nas duas outras variantes imediatas. Traidores porque traem seu próprio destino, traem o destino de seus filhos e de quem mais dependa deles para levar adiante a vida. Mas, são também traídos, isto é, deixam-se trair por aqueles que se aproveitam de sua distração para subir sobre seus ombros.

Nessa imensa lista de distraídos estão muitos trabalhadores, muitos consumidores, muitos eleitores, muitos contribuintes, e olha, estão também muitos torcedores, que entregam o melhor de sua paixão em troca de coisa pouca e ruim. Renunciam sua condição de sujeitos dos processos políticos, sociais, econômicos e religiosos. Tornam-se objetos. Referendam o naufrágio de muitos modelos que, sem dúvida, caminham para o caos. Distraídos, dentro desses “barcos fazendo água” não têm capacidade para perceber que o naufrágio é iminente.

Quanta coisa poderia entrar nesta lista para marcar sua atualíssima verdade…

A mobilidade urbana dos grandes centros, para onde a maioria deixa-se levar, é a mais visível.

Traidores são os que enxergam tudo isso, mas nada fazem porque estão tirando proveito do caos. É duro recolher esta visão e anotar como esses caras de pau tem pouca ética, pouco compromisso com o certo, pouco respeito com a vida. Está confortável? Deixa como está, pensam.

Traídos, além daquela parcela já referida atrás, ainda são os que dificilmente poderiam protestar, pois suas sobrevivências, pobres e desconfortáveis sobrevivências, ainda estão na dependência de se deixar trair para ter amanhã. Estão mais doentes que os outros.

Finalmente a quarta e última situação. Esta parcela pertence aos ATRAÍDOS. São poucos, por enquanto, mas não se deixam abater. Alistam-se nos pelotões de resistência, fazem abaixo-assinados escritos e virtuais, saem em passeata, erguem a voz nas reuniões, escrevem para os veículos de comunicação, ligam (xingando) para os políticos, cuidam do planeta, das crianças, dos velhos, dos doentes, dos índios, dos miseráveis, dos doentes.

São, principalmente, aqueles que já não votam nos candidatos viciados em carreira política, cuja campanha de agora prepara a próxima campanha, o seu próximo mandato. São os que acreditam que qualquer das três situações como distraídos, traídos e traidores sepultam o futuro político, social, econômico e religioso e saem à luta em busca de novos aliados, na verdade, novos atraídos para tocar a vida sem serem adversários dela.

Dá a impressão que quando a cultura religiosa inventou o diabo como um anjo caído que se rebelou e passou a batalhar na ala dos adversários do bem, nada mais estava inventando do que o objetivo do próprio homem: opção sua (ou indução) por ficar na contramão da vida.

Como fica isso, falando francamente?: os distraídos levam ferro e acham que isso é normal; os traidores terão de acertar contas com o futuro; os traídos são como aqueles “cornos mansos” que conhecemos a caminho de regeneração.

Para finalizar: os atraídos pertencem à única classe humana com a qual a vida ainda pode contar.

O mundo do futuro, se houver, será deles.

Bem-aventurados os que acreditam porque deles será o reino da futura sociedade.

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