As radiais e televisivas

Publicado em: 14/04/2012

Edemar e Orlando Duarte

O Santos FC está completando neste sábado 100 anos de existência. Existência das mais gloriosas de um time de futebol no mundo. Grandes conquistas, grandes jogos e grandes jogadores revelados para o mundo. Ao tempo de Pelé o Santos vivia no exterior jogando quase todos os dias. Orlando Duarte de Figueiredo, o Eclético, um dos maiores jornalistas da história do jornalismo impresso, televisivo e radiofônico deste país esteve sempre ao lado do Santos nessas excursões. E participava também dos treinos para completar o grupo de jogadores a disposição do técnico Lula.
 
Em determinada prática, Orlando marcou três gols em passes recebidos de Pelé e Cia. No dia do jogo um jornal asiático publicou uma foto de Orlando Duarte marcando um dos gols e na primeira página anunciando ser ele a nova revelação que o Santos estaria preparando para jogar ao lado de Pelé. Outro dia nos encontrarmos e a primeira coisa que Orlando Duarte disse foi: “Que cobertura fizemos nos Jogos Olímpicos de Seul”.  Até agora nenhuma rádio anunciou a transmissão dos esportes coletivos dos Jogos de Londres. Só se fala em boletins. É muito pouco para o rádio.

Vem aí uma nova equipe esportiva em FM. Pretende estrear no Campeonato Brasileiro se os ajustes técnicos e eletrônicos estiverem concluídos. Nomes de expressão do rádio paulista atualmente fora do microfone, preteridos em favor de mediocridades, poderão compor esse novo prefixo. Consagrado homem da publicidade de São Paulo contou-me essa semana que as emissoras tradicionais do AM ainda conseguem patrocínio, mas já não tem mais o faturamento de outros tempos. Os anunciantes não concordam com as transmissões feitas dos estúdios o que na verdade tornou-se hábito das rádios por ser mais econômico. E quanto mais transmitirem dos estúdios mais diminuirá o investimento das grandes empresas em publicidade. Isso lembra a história de determinado homem de rádio que dizia: “primeiro precisamos faturar para depois comprar equipamentos e investir em transmissões esportivas”. A história comprova que ninguém vende nada se não tiver o produto para vender, logo…

O rádio paranaense passa novamente por turbulências envolvendo emissoras cujos proprietários não são do ramo e colocam no seu comando pessoas que também não são da área. Uma dessas rádios deverá diminuir sua equipe esportiva, fazer cada vez mais off-tube e jogar no lixo o projeto implantado há poucos meses com a participação de competentes profissionais. Enquanto isso outra emissora tradicional que esteve nas mãos de um mesmo empresário por décadas e comercializada há dois anos vai diminuir o espaço para o esporte ou até extingui-lo em favor de faturamento oriundo do aluguel de horário para uma igreja. Será que isso um dia vai acabar? Será que o Ministério das Comunicações e a Anatel estão observando essa proliferação de terceirização no rádio brasileiro? Outorga de rádio até que se mude a Lei é para ser explorada por quem a obteve e não por terceiros. Lamentável.
 
Aqui em São Paulo o baixo índice de audiência de uma emissora que transmite futebol continua de acordo com o último Ibope. Quem dirige ainda não se tocou que precisa colocar gente qualificada nas transmissões esportivas. Quantidade nem sempre significa qualidade. E não adianta formar redes pelo país afora, pois o que vale para os anunciantes é o IBOPE de São Paulo onde se localizam os grandes patrocinadores e a publicidade é assinada. As transmissões esportivas no AM também enfrentam outro dilema: o som que comparado ao FM perde muito em qualidade. A esperança está na digitalização que dizem deverá ser concluída em até quatro anos. Essa história é velha e como diria o falecido humorista Chico Anysio: “só acredito vendo”.

Aguarda-se com expectativa a reativação das Ondas Curtas da Rádio Guarujá de Florianópolis hoje pertencente à Sociedade Catarinense de Comunicações propriedade da família Joffre Amaral de Lages. Quando iniciei na Rádio Nereu Ramos transmiti muitos jogos no Estádio Vidal Ramos Junior e no Vermelhão. Numa dessas viagens estive com Camargo Filho visitando a Rádio Clube onde conheci o Carlos Joffre do Amaral, o patriarca da família. Foi de São Paulo para Lages lá por 1930 e dez anos depois como consertava rádios criou um serviço de alto-falantes conhecido como a Voz da Cidade. Em 1947 colocou no ar a Rádio Clube de Lages, pioneira do Planalto Serrano. Foi sucedido pelo primogênito Dr. Roberto Amaral, Engenheiro em Telecomunicações. Hoje a Rádio Clube de Lages faz parte do Sistema Catarinense de Comunicação (SCC) que retransmite o SBT TV de Silvio Santos para Florianópolis, Lages, Joinville, Blumenau, Criciúma, Joaçaba e logo para Chapecó. Fazem parte do SCC além da Rádio Clube a CBN, TV Araucária, Gralha Azul de Urubici, Guarujá de Florianópolis e outros meios de comunicação.
  
E pra encerrar a semana: Lá pelos anos 70 Etty Fraser apresentava um programa de culinária de grande audiência na televisão brasileira. Como na época as transmissões por satélite ainda eram deficientes, seu programa era gravado em São Paulo e enviado em fita de rolo para o Rio de Janeiro. Certo dia mandaram dois rolos para a televisão no Rio. Colocado o primeiro no ar, terminava com a apresentadora preparando uma lasanha e colocando no forno. Na volta dos comerciais foi inserido o segundo rolo com Etty Fraser abrindo o forno e retirando dele uma maravilhosa “pizza!.  Choveu telefonema na televisão. Todos querendo saber o segredo de como lasanha virou pizza no forno…

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