Áudio da TV no rádio: uma aberração

Publicado em: 27/04/2008

Aqui em Florianópolis fiquei estarrecido dia desses. Ao ligar o rádio na CBN Diário ouvi algo que não queria. Entrou uma propaganda com áudio de televisão. Aquele material que é feito para a TV, mas que também é estendido para outro veículo, neste caso, o rádio. Como se isso fosse possível, como se isso fosse respeitoso. Por Ricardo Medeiros  

O áudio da propaganda era fraco, distante. O locutor não falava para o ouvinte de rádio. Tive a impressão que se dirigia a um outro público, para aquele outro – o telespectador – que recebe o reforço de imagens prontas.
Por que não criar algo específico para o meio em questão: o rádio. Que tal um belo spot, com texto, trilhas e efeitos que cativam o ouvinte. É econômico. Por que não há uma lei, um estatuto que proíba o crime cometido frequentemente: o de encarar o rádio como uma prostituta que aceita tudo, inclusive áudios estranhos.
As agências de publicidade e propaganda raramente mantêm em seus quadros uma equipe voltada para a criação radiofônica. Dizem que não vale à pena. Não assumem o discurso, mas racionam que produzir para o rádio não dá status e nem retorno financeiro. Então, grande parte das agências concentra-se em meia página de jornal ou de revista e, é claro, no VT que vai trazer notoriedade e lucros para a empresa.
O escritor e professor de rádio Eduardo Meditsch (O Rádio na era da Informação: teoria e técnica do novo radiojornalismo. Florianópolis: UFSC/Insular, 2001) afirma que na hora de onde aplicar mais verbas, o rádio é preterido, “mesmo quando a lógica de marketing aconselha o contrário”. Uma das justificas encontradas por ele é que “a produção para a tevê e os meios impressos fascinam os profissionais de criação e os festivais publicitários que lhes dão prestígio, enfatizam o visual”. Eduardo Meditsch diz também que “os próprios clientes muitas vezes preferem ver seus produtos na tevê mesmo que isso represente menos retorno em relação ao dinheiro aplicado nas campanhas”. Os crimes, as aberrações continuam a rondar o rádio, daqui de Florianópolis e de outros lugares.


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