Bastidores (a morte anunciada da PRB2)

Publicado em: 09/12/2007

Peço licença e desculpas a todos que me lêem, se esta semana não serei o mesmo Sérgio que vocês estão acostumados, pois nesta semana usarei este espaço para, de alguma forma, tentar homenagear a Rádio Clube Paranaense e seus ouvintes, rádio na qual eu tive o imenso privilégio e prazer de trabalhar por mais de dez anos, mas que infelizmente se aproxima do seu fim, a largos e tenebrosos passos.
Por Sérgio Guimarães

Infelizmente, no início da semana passada eu e toda a equipe de esportes da Radio Clube, a famosa B2, fomos friamente comunicados que a rádio estava encerrando todas as suas transmissões esportivas, pois passaria a retransmitir, em cadeia, com um rádio de São Paulo, apenas os jogos dos times paulistas. Este comunicado frio e torpe, não só demitiu uma equipe inteira, como arrancou cruel e covardemente uma tradição histórica dos milhões de ouvintes da B2, em todo o mundo, graças à internet e, sobretudo dos paranaenses que perderam a tradicional equipe de esportes, que foi dissolvida depois de 83 anos de história e tradição na radiofonia brasileira.
Desde o início de suas atividades em 1924 a Rádio Clube Paranaense continuamente apoiou os talentos e as coisas do Paraná, pois tinha como sua marca irrefutável, a satisfação do seu ouvinte e as informações do seu Estado, sempre em primeiro lugar. Mas, infelizmente os tempos são outros e o compromisso e o respeito com os ouvintes ou a tradição de mais de 70 anos de transmissões esportivas foram trocados por alguns tostões, numa tentativa vã da atual administração de varrer e esconder debaixo do tapete a sua incompetência e sua falta de respeito com ouvintes e profissionais.
Os profissionais da equipe de esportes da B2 trabalharam normalmente nas jornadas do final de semana passado, sem imaginar o que lhes aguardava na segunda-feira, quando foram impedidos de entrar na emissora até que todos chegassem. Quando a equipe estava completa, do lado de fora da emissora, todos foram convocados para uma reunião, onde foi comunicada, por representantes da atual diretoria, a dissolução do time. O programa do final de tarde, sequer foi ao ar, sendo substituído sem nenhum aviso prévio aos ouvintes, que aguardavam o noticiário do seu clube, mas foram surpreendidos por uma programação musical. A justificativa dada aos demitidos foi a de que a área de esportes estava dando prejuízo à Rádio.
A “Equipe Positiva”, nome dado por Lombardi Júnior e Capitão Hidalgo em 1978, a equipe de esportes da B2, era composta pelos competentes narradores Nelinton Rosenau e Alfredo Ribeiro; os comentaristas Silvio de Tarso e Capitão Hidalgo, os repórteres Jairo Silva, Paulo César Tiemann, Bruno Henrique e Dorival Crispim; os âncoras Diana Vieira, Enemar Passos e Antônio Carlos Ribas, o produtor Márcio Miranda e os plantonistas Oldemar Kramer e Pedro Rogério Gregoski e por mim, que trabalhava como correspondente do Rio de Janeiro e setorista da CBF, do STJD e da Seleção Brasileira.
A B2 foi a primeira rádio a transmitir uma partida de futebol no Paraná e por isso, há mais de 70 anos tinha como uma das suas bases de sustentação a programação esportiva, tanto que há poucos meses a direção lançou a campanha “Meu clube está na Clube”, que tinha como meta principal resgatar os dois principais referenciais da rádio, que eram a cobertura esportiva e o noticiário jornalístico, mas infelizmente nada disso foi levado em conta e a campanha jaz, tal qual a Equipe Positiva, que com seu fim vê de muito perto a querida Rádio Clube Paranaense agonizando, infelizmente.
A agora falecida “Equipe Positiva” transmitiu os maiores eventos esportivos do esporte paranaense e mundial, dos últimos anos como as finais dos Mundiais Interclubes, em 1981, quando o Flamengo foi campeão ao derrotar o Liverpool da Inglaterra, o de 1983, quando o Grêmio ficou com o titulo ao vencer o Hamburgo da Alemanha e o de 1992, quando o São Paulo levantou o caneco, ao vencer o Milan, isso sem falar nas Copas do Mundo de 1982, 1986, 1890, 1994, 1988 e 2002.
Infelizmente o fim da Equipe Positiva significa o fenecimento de uma tradição que se tenta apagar de forma tão desrespeitosa, quanto cruel. Cruel e desrespeitosa muito, nem tanto com os profissionais de microfone, que apenas ficaram desempregados, mas que em breve, pela comprovada competência estarão defendendo outros prefixos, mas de forma atroz e covarde com os milhares de ouvintes mundo afora da Clube, que literalmente de um dia para o outro se viram órfãos da sua querida Equipe Positiva.
O fim da equipe Positiva significa não só uma grande perda para a cidade de Curitiba e o Estado do Paraná, mas para o esporte e o rádio brasileiro, pois como diz o professor Carlos Kleina “Brasileiro não vive sem Radio”.
O meu único conforto é que a história da querida B2 é eterna e jamais será apagada ou calada, por mais que a atual administração, com toda a sua incompetência e mesquinharia, se esforce muito para apagá-la e calá-la, pois as pessoas passam, mas a Rádio Clube do Paraná ficará para sempre em nossa memória e em nossos corações.
Quem quiser repudiar o fim da Equipe Positiva pode acessar a comunidade que eu criei no Orkut, chamada Eu quero a Clube de volta, no link http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=38788830
* Dados históricos tirados do site criado por Ubiratan Lustosa, um ícone da Rádio Clube: http://www.ulustosa.com.
Redação: o presente artigo foi publicado em 10/9/2007 no site http://www.justicadesportiva.com.br/index.asp
 


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