Beleza só… Carnaval e alegria popular quando tudo é paz

Publicado em: 21/02/2012

Nesses dias de reclusão rodoviária, quando sair de casa e pegar qualquer caminho é um tormento é muito gostoso, prazeroso mesmo, ver os carnavais feitos por blocos bem populares, sem fantasias e adereços, só com a cara, a coragem e sua alegria genuína… No domingo fomos às Armação da Piedade em Governador Celso Ramos. Para voltar da Armaçãozinha – uma jóinha de lugar perdidamente bucólica – fomos envolvidos no Centro da Armação por uma multidão de foliões. Quando chegamos no bairro Barreiros, outra multidão sem máscaras, sem fantasias, sem trejeitos e até sem serpentinas ou confetes (será que se acabaram esses produtos? Não se fabrica mais? Caiu de moda?)

Mas que carnaval! A cada passo se juntavam mais foliões, mais e mais.

Sabe, caro leitor a que conclusão eu cheguei? De que ali estava um pedaço de alegria trazendo o seu brado de socorro. Socorro de uma parcela do  povo que ainda continua isolada das “grandes sociedades”, das escolas de samba da elite e dos clubes sociais, tidos como chiques e que por isso precisam se isolar para não se contaminar com a espontaneidade que teima em persistir dentro das camadas mais simples da população.

Nesses três dias (seja fantasiada minha parte ou não), sinto que esse tipo de manifestação popular que ainda persiste é uma mensagem incrível e ao mesmo tempo estranha: ainda é possível sermos mais felizes, sendo menos opulentos e mais simples. Assim é no carnaval, na pelada de bola de meia, no dominó do botequim da esquina, nas reuniões familiares dos vizinhos de bairro.

Pena, porém, que as ruas estão ficando cada vez mais elitizadas “por questões de segurança”. Os campinhos de pelada desapareceram tomados pelos espigões. A conversinha do anoitecer, sentados em cadeiras na calçada, agora não pode, atrapalha o fluxo do trânsito que toma conta de tudo.

Gente, por certo eu estou abismado, mas renovado em ânimo e convicção. Sinto, lá onde a consciência não dorme que o povo espontaneamente está retomando a sua força, a sua capacidade de mobilização no carnaval, nas peladas de praia, nas procissões, está se iludindo menos com os movimentos dos grevistas profissionais, está dando as costas aos comícios mentirosos, está fugindo daquela parte do comércio que se prevalece da ingenuidade de alguns para roubar no peso ou exorbitar no preço, está repudiando os arautos “do quanto pior melhor”.

Sinceramente, nesse domingo de carnaval fiquei encantado e assustado. Assustado porque o povo (como na parábola do elefante) ainda não sabe a força que tem e precisa se cuidar por causa dos infiltrados sem causa, mas continuo encantado porque gostei de ver gente se divertindo na rua, gostei do carnaval dos descamisados e dos pés descalços…

Parabéns povo de Barreiros. Parabéns povo da Armação.

Que beleza de festa com que vocês brindaram seus semelhantes. Valeu ficar na tranqueira temporária do transito para ver essa felicidade popular tão espontânea e contagiante. Obrigado Gente!

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