Blumenau e… Moacir Werneck de Castro

Publicado em: 18/05/2015

Werneck, além de jornalista foi também escritor e tradutor de importantes obras literárias. Nasceu em Barra Mansa, no Rio, em 1915, e morreu em 25 de novembro de 2010.

moacir w castro 1Neto do Visconde de Arcozelo e bisneto do Barão de Pati de Alferes, sua família viveu a experiência da decadência da lavoura do café, o que ele conta no livro “Europa 1935, uma aventura de juventude”, publicado no ano 2000 pela Editora Record.

Na página 152 do livro ele relata: “A esta altura cabe um intermezzo sobre a minha infância em Blumenau, Santa Catarina.”

E mais adiante:

“Para lá nos levou, a meus pais, e duas irmãs e a mim, a decadência sem remédio da lavoura de café no estado do Rio de Janeiro. Meu pai, Luis Werneck Teixeira de Castro, chegou a usufruir na juventude de um resto de fortuna dos seus ascendentes, o pai visconde e o avô barão, senhores de escravos e donos de muita terra. Os escravos um dia se libertaram e a terra se tornou improdutiva, Acabou-se a festa.”
Quando a família de Moacir Werneck de Castro veio para Blumenau, ele era muito criança ainda, tinha pouco mais de dois anos de idade. Isto foi em 1917.

Como aconteceu ? Deixemos que ele mesmo conte:

“Mas, por sorte, graças à ajuda de amigos, como o Ministro do Supremo Tribunal Federal, Sebastião Lacerda, meu pai conseguiu o emprego de coletor federal em Blumenau, onde o seu conhecimento de alemão vinha ao encontro da necessidade do governo de cortar as asas ao pangermanismo, aguçado pela guerra de 1914-18.

Meu pai era um humanista, de ideias avançadas. Vivia às voltas com livros, alguns deles em alemão, entre os quais uma bela edição ilustrada do Fausto de Goethe. “Era respeitado pela comunidade alemã de Blumenau, apesar de sua posição crítica diante do arraigado germanismo da maioria.”

Moacir relata ter tido infância muito feliz em Blumenau, onde estudou com os padres franciscanos do Colégio Santo Antônio. Foi aqui que aprendeu um pouco de alemão com crianças vizinhas, cujos pais nem falavam o português, ensinamentos que lhe serviram, e muito, nas várias viagens que fez à Alemanha. Lembra as visitas que um padre franciscano fazia à sua família e que mantinha agradável conversa com seu pai: era o seu professor do colégio, Frei Estanilau Schaette.

A família viveu em Blumenau até por volta de 1925. Toda esta convivência o levou a escrever, nos anos 90,o livro “O Sábio e a Floresta”, biografia do sábio e naturalista Fritz Müller, editado em 1992.

Outro livro seu com temática local, “Missão na Selva”, de 1994, conta a história de Emil Odebrecht, um desbravador da selva brasileira.

Moacyr Werneck de Castro atuou de 1945 a 1953 nos jornais Tribuna Popular e Imprensa Popular, ambos do Partido Comunista Brasileiro, ao qual se filiou em 1947 e se afastou em 1956. Fundou em 1955, com Jorge Amado e Oscar Niemeyer, a revista “Paratodos – Quinzenário de Cultura Brasileira”.

De1957 a 1971 foi redator-chefe do jornal “Ultima Hora”.

Traduziu para o português livros de Gabriel Garcia Marquez, Dostoievsk, Aldous Huxley e Émile Zola.

No livro Europa 1935 , ele conta também, entre as aventuras vividas no velho continente, a agressão que sofreu de um grupo de militantes da juventude nazista. E só escapou porque possuía passaporte brasileiro e porque falava um pouco de alemão, que aprendera na infância, em Blumenau.

 

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