BRECHT: INTELECTUAL E VISIONÁRIO

Publicado em: 10/10/2006

“Um homem que tenha algo a dizer e não encontra ouvintes está em má situação. Mas estão em pior situação ainda os ouvintes que não encontrem quem tenha algo a dizer-lhes” A frase é do poeta e dramaturgo alemão Bertold Brecht (Apud Meditsch, 2005: 36).
Por Ricardo Medeiros

Ele foi um dos primeiros pensadores a se preocupar com a nova tecnologia, o rádio, que surgiu na década de 1920.  Entre 1927 e 1932, Brecht escreveu ensaios e sugestões que foram reunidos num trabalho sob o título de Teoria do Rádio. O intelectual estava ciente da potencialidade deste meio de comunicação.
Conforme Brecht, o rádio deveria se aproximar do ouvinte. O dramaturgo tinha uma proposta para os diretores das primeiras estações alemãs: “Na minha opinião, vocês deveriam fazer uma coisa realmente democrática (…). Opino, pois, que vocês deveriam aproximar-se mais dos acontecimentos reais com os aparelhos, e não se limitar à reprodução ou à informação” (Apud Meditsch 2005: 36-37).

Na prática o pensador estava criando ousadamente as bases do radiojornalismo, numa época em que o rádio alemão se ocupava, principalmente, de música ou de aulas de línguas e arte culinária. Ele sugeriu aos empresários a transmissão de entrevistas: “Vocês podem preparar para o microfone, em lugar de resenhar mortas, entrevistas reais, em que os entrevistados tenham menos oportunidade de inventar esmeraldas mentiras, como podem fazer para periódicos”. (Apud Meditsch, 2005: 37). 
Com isso, Bertold Brecht abriu caminho para debates, para o contraditório. Ao invés de se ler ao microfone trechos de jornais, de revistas, de artigos e de livros, ele propunha que o espaço fosse usado de forma diferente e dinâmica. Por que não entrevistas? Ao vivo, o entrevistador poderia fazer colocações que levariam o entrevistado a se manifestar sobre questões que em outro meio de comunicação ele poderia se esquivar. Nas ondas do rádio, em evitando responder sobre o que foi questionado igualmente o entrevistado deixaria indícios, ao ouvinte, que estaria buscando fugir de um embate.

No mesmo espírito, Bertold Brecht recomendava que “seria muito interessante organizar discussões entre especialistas eminentes”. Pessoas que estariam discutindo um assunto ora sobre o mesmo ponto de vista ora divergindo em alguns momentos. Isto traria mais informações, esclarecimentos e cultura ao público.
O dramaturgo sugeria que durante o dia fossem colocadas chamadas dos programas de entrevistas e de debates, bem como daqueles outros de cunho informativo e cultural. O objetivo era de despertar a atenção do público para essas emissões em meio às amenidades da programação geral.
Fontes:
MEDITSCH, Eduardo (organizador). Teorias do Rádio-texto e contextos.
Volume I. Florianópolis: Editora Insular, 2005.
FANUCCHI, Mário. O Rádio de Brecht Setenta Anos Depois. São Paulo: Revista da USP, 1997.


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