BRECHT PREVÊ ESPAÇO NO RÁDIO PARA POLÍTICOS

Publicado em: 16/10/2006

Além de se preocupar em incentivar a promoção de entrevistas e debates, em sua teoria sobre o rádio Bertold Brecht frisava que os governantes deveriam também utilizar o meio de comunicação. Ele destacava que: “Faz parte das obrigações da autoridade suprema informar à nação, regularmente, por meio do rádio, suas atividades e legitimidade de sua atuação”. 
Por Ricardo Medeiros

Porém, conforme o dramaturgo: “A tarefa da radiodifusão não se esgota ao transmitir essas informações. O rádio tem de articular um modo de pedir informações, isto é, converter os informes dos governantes em respostas às perguntas dos governados. O rádio precisa tornar possível esse intercâmbio”.  (Apud Revista da USP, 1997: 128) O pensador alemão não queria, portanto, que os governantes usassem simplesmente o veículo para vender suas idéias. Mas para responder as indagações da população.
No caso brasileiro o que se viu foi a criação de um programa de mão única. Em 1935, no Governo Getúlio Vargas, surgiu a Hora do Brasil que teve a denominação mudada para A Voz do Brasil. O programa que existe até hoje fala, sobretudo, dos feitos do executivo federal.
Talvez Bertold Brecht quisesse mostrar que seria viável colocar no ar emissões como “Pergunte ao Presidente”, “Pergunte ao Governador” ou ainda “Pergunte ao Prefeito”. Programas que deveriam conter colocações que espelhassem a realidade pela qual passa um país, estado ou município.
Existem algumas tentativas do gênero que, no entanto, passam por tanto filtros que, na prática, indagações importantes que deveriam ser feitas aos administradores não o são. O que vai para o ar são algumas perguntas do povo para justificar oficialmente o espaço dado para que determinada autoridade continue a falar sobre seus feitos e realizações.
Fontes:
MEDITSCH, Eduardo (organizador). Teorias do Rádio-texto e contextos.
Volume I. Florianópolis: Editora Insular, 2005.
FANUCCHI, Mário. O Rádio de Brecht Setenta Anos Depois. São Paulo: Revista da USP, 1997.


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