Cadê a identidade do rádio – 3

Publicado em: 12/01/2011

O meio rádio está perdendo seu espaço pela falta de bom senso e capacidade de seus proprietários, “laranjas” ou subordinados. Passei uns dias entre Natal e Ano Novo em Curitiba e confesso que fiquei assustado com o que ouvi. Esses programas terceirizados e comandados por donos de empresas ficam tocando música e colocando o telefone para a participação do ouvinte. Aí meus amigos rola a maior baixaria que se possa imaginar. A sorte desses “pseudos” comunicadores é que não existe mais o Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL) que foi um projeto do governo brasileiro em 15 de Dezembro de 1967 pela Lei n° 5.379.

O Mobral propunha a alfabetização funcional de jovens e adultos, visando “conduzir a pessoa a adquirir técnicas de leitura, escrita e cálculo como meio de integrá-la a sua comunidade, permitindo melhores condições de vida”. A falta de identidade do rádio brasileiro não está só em Curitiba. Está em todo o país. Programação direcionada ao público alvo, programação que venha ao encontro dos interesses de uma comunidade ainda existem nas rádios das grandes capitais e umas poucas no interior. É claro que existe público para todos os gostos. Há os que gostam dos programas esportivos, jornalísticos, musicais ou dos sertanejos. Quando esse tipo de programação fazia parte efetiva das rádios brasileiras, existia qualidade. Quem não acordava ouvindo Zé Bétio na Rádio Record, Pulo do Gato na Bandeirantes, Equipe Sete e Trinta (Jornal da Manhã) da Jovem Pan, Primeira Hora na Bandeirantes. Quem não ouvia o Repórter Esso, o Globo no Ar, Correspondente Banrisul ou Ipiranga da Guaíba, Varig é a Dona da Noite, Show de Rádio, Atualidades Esportivas da Band-SP, Jornal de Esportes da JP, Bola em Jogo da Tupi. Alguns desses programas continuam e merecem o reconhecimento por serem excelentes. Agora ouvir determinados comunicadores quatro ou mais horas no ar sem conteúdo não dá para agüentar. Gente, vamos colocar produtores para que os comunicadores voltem a merecer o prestígio que o rádio sempre teve. Vamos acabar com as terceirizações. Uma rádio que é rádio precisa ter Superintendente, Diretor de Programação, Diretor de Jornalismo, Diretor de Esporte, Diretor Comercial, Comunicadores, Locutores comerciais, Comentaristas, Narradores, Repórteres, operadores técnicos de interna e externa. Quando iniciei no rádio – Rádio Nereu Ramos de Blumenau em 1964 – ela tinha tudo isso. Todos eram registrados e tinham salário compatível com a função que exerciam. Mudou o governo, que se mude também e se dê uma identidade ao rádio. É isso aí.

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