Caros Ouvintes – Os 60 anos do Rádio em Florianópolis (Parte 4)

Publicado em: 23/08/2005

Passam março, abril, maio e junho. Nós na batalha, mas já um olhando pro outro. Nesse meio tempo a Guta e o Roberto resolvem desfazer a parceria e acaba a Propague Promo. Quem fica responsável pela comercialização das cotas? Chega a hora da verdade parte 2, A Revanche.
Por Antunes Severo

Dito assim, na galhofa a coisa até fica amena. Porém, o tempo passa e a autorização para a captação dos recursos para custear o projeto não vem. Na última semana de julho, finalmente, recebemos a autorização. Dos R$ 232.000,00 solicitados, o MinC aprova R$ 222.000,00. Menos mal, nossa proposta fazia sentido e tinha coerência. Os analistas do Ministério só haviam cortado a verba destinada ao coquetel de lançamento!


Lígia Santos e Maria Alice Barreto, as primeiras divas do
Rádio de Florianópolis, em foto de 1946.

Voltamos ao Roberto da Propague para dar a arrancada final. Numa análise fria e profissional o nosso parceiro foi objetivo: a agência continua apoiando o projeto, mas não temos condições de assumir a responsabilidade da captação dos recursos. “Estamos praticamente no segundo semestre e as empresas, a esta altura já definiram a aplicação dos seus incentivos”, conclui Roberto Costa.


Serrão Vieira – O fundador da Rádio Guarujá, em depoimento ao
curso de comunicaçã da Famecos, de Porto Alegre, em 1998.

Tarcísio e eu saímos dali direto para o novo QG da Maria Augusta: a Prospect. Analisada a situação, resolvemos fazer a tentativa final. A Guta passa a capitanear a captação dos recursos revisitando as empresas e instituições contatadas anteriormente: Eletrosul, Tractebel, Intelbras, Brasil Telecom, Souza Cruz, Governo do Estado de Santa Catarina e BRDE – Banco Regional de Desenvolvimento Econômico. E o tempo vai passando…


Cacilda Nocetti, a boníssima mulher má das novelas das rádios
Guarujá e Diário da Manhã, em foto do início da carreira.

Em novembro Ricardo retorna da França e passa a integrar os lances finais da batalha derradeira.

Em dezembro de 2004, recebemos o sinal verde do BRDE. Está aprovada a aplicação de R$ 10.000,00 para o livro Caros Ouvintes – Os 60 anos do rádio em Florianópolis. Pra quem precisa de R$ 222.000,00, a contribuição é pequena, mas não desprezível. Novas reuniões, mais contatos, mais promessas, mais esperanças que brotam e que logo em seguida sucumbem por falta de alento.


José Nazareno Coelho abraça Manoel de Menezes, na década de 1970.

Passadas as festas de Ano Novo, voltamos à batalha numa tentativa de encontrar algum milagre nos escombros de nossas ilusões. Nada. A sorte estava lançada. Agora só resta a alternativa do Plano B: A Revanche.

Como Revanche? Você pode perguntar. E eu lhe direi: sim, revanche contra o nosso preconceito de concentrar todas as fichas numa alternativa que existe, mas que acaba se mostrando fora do limite de nossas forças políticas e institucionais. Os recursos almejados, percebemos, estavam acima do nosso cacife de profissionais reconhecidos pelo mercado, porém, não a altura de uma participação na partilha dos recursos oriundos dos incentivos fiscais destinados a projetos culturais, embora públicos.


Luiz Osnildo Martinell, um dos primeiros redatores esportivos. Começou
quando a Guarujá ainda era serviço de alto falantes, em 1943

Discutido o Plano B, vem a primeira conclusão. A alternativa está fora dos objetivos de mercado da Tempo Editorial e fogem também do perfil da Prospect. Felizmente – e este foi mais um dos grandes ganhos que tivemos com o projeto – a solução foi muito generosa por parte do Tarcísio e da Guta: “o que foi feito está feito, vocês estão livres para buscar outros caminhos”, foi a decisão. Com esta bênção, porque trabalhar com o Tarcísio e a Guta é uma grande bênção, saímos em busca de outras alternativas.

Antes, temos que informar ao BRDE o cancelamento do projeto e, em seguida ao Ministério da Cultura. Isso implica também em devolver o dinheiro para o MinC, como foi feito. Essa parte coube a Temo Editorial.

Assim, liberados Ricardo e eu resolvemos testar outros caminhos. Primeiro, a Fundação Franklin Cascaes. O professor Rosalino nos recebeu, ouviu a proposta de parceria e fulminou: “eu acabei de sentar nesta cadeira, a Fundação tem mais de R$ 300.000,00 de dívidas atrasadas e nós não temos dinheiro nem pra pagar a conta de luz”.

Agradecidos, saímos porque a final nós não tínhamos dinheiro, mas não estávamos devendo nada pra ninguém. Em seguida, conversamos com a diretoria da Associação Catarinense de Imprensa/Casa do Jornalista. Moacir Pereira sinalizou: “encontrem uma alternativa de mais baixo custo e nós vamos buscar os recursos”.

Contatamos com o professor João Nicolau Carvalho que estava assumindo a Editora da Udesc, de há muito desativada. Ele se interessou pelo projeto e estimulou contatarmos com o Nelson Rolim da Editora Insular. Ricardo Medeiros que já tem três livros lançados pela Insular foi decisivo na participação da editora nesta parte do projeto.

Os contatos com a editora da Udesc não evoluíram por questões burocráticas. Mas, em compensação o exercício serviu para que descobríssemos outros caminhos.

Em resumo, a Insular assumiu a parceria sem cobrança antecipada de seus serviços de editoração, negociou os melhores custos com a gráfica que também virou parceira e juntamente com a Casa do Jornalista conseguiu viabilizar a impressão do livro.

Os detalhes desta virada e suas repercussões você vai conhecer no próximo capítulo, na semana que vem.


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